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Projeto pretende analisar genoma de 15 mil pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA)

A criação de um banco de dados pode facilitar a detecção da patologia e permitir iniciar o tratamento com maior rapidez

maio de 2015
SHUTTERSTOCK
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurológica progressiva que costuma aparecer após os 40 ou 50 anos. Ainda não há cura e não se sabe exatamente sua origem. As estimativas mostram que a patologia acomete de duas a quatro pessoas a cada 100 mil habitantes e, após o diagnóstico, a sobrevida dos pacientes é de três a cinco anos, em média.

Um projeto lançado no ano passado, porém, traz boas notícias. Chamado de MinE e parte de um consórcio internacional centralizado na Holanda, do qual o Brasil participa, o programa pretende analisar, em escala mundial, o genoma de 15 mil pacientes com ELA esporádica (não hereditária) e 7,5 mil de controle (pessoas sem a doença), totalizando 22,5 mil amostras. Aqui, as pesquisas serão feitas pelo Instituto Paulo Gontijo (IPG), coordenado pelo biólogo genético Miguel Mitne Neto, e pelo Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo Mitne Neto, não é nada fácil diagnosticar a doença. “A única forma é por meio da avaliação clínica, o que faz o paciente esperar em média 11 meses – isso é muito tempo”, afirma. O biólogo diz que a criação de um banco de dados vai gerar um volume de informações sem precedentes “Assim, poderemos comparar o genoma de pessoas com e sem ELA e investigar os genes associados com a patologia. É imprescindível identificar o perfil genético desse tipo de esclerose, o que vai facilitar sua detecção e permitir iniciar o tratamento com maior rapidez”, destaca.

Pacientes interessados em participar como voluntários podem entrar em contato pelo e-mail contato@ipg.org.br, segundo informações divulgadas pela Agência USP de Notícias. Há alguns critérios de seleção, como o grau de comprometimento decorrente da doença. Os selecionados passarão por avaliação clínica e coleta de sangue para a extração do DNA. O material será enviado para o consórcio que fará o sequenciamento do genoma; os resultados, então, serão reencaminhados para o CEGH-CEL, que fará as análises do DNA.

Essa tarefa, porém, é difícil e cara. Os pesquisadores brasileiros se comprometeram a contribuir com 150 amostras. Mas, para isso, precisam do apoio financeiro de pessoas e empresas. O andamento do projeto por aqui vai depender de financiamento. As doações podem ser feitas diretamente no site https://www.projectmine.com/.

 

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