 |
André Ribeiro/UnB Agência |
 |
|
 |
(Agência UnB) − O cérebro das abelhas tem o tamanho de uma cabeça de alfinete, mas trabalha de forma semelhante ao dos humanos em termos de moléculas. Elas têm a capacidade de aprender com as conseqüências de suas ações e de orientar seu comportamento para atingir um resultado. Descobrir como as proteínas presentes nos neurônios desses insetos interferem na aprendizagem deles pode ser um caminho para entender o funcionamento do cérebro humano.
É nisso que aposta o bioquímico Marcelo Valle de Sousa, professor do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília (UnB). Ele coordena uma nova linha de pesquisa que tem como intuito estudar o proteoma (conjunto de proteínas) de cérebros de abelhas. A intenção é ajudar a compreender como o ser humano aprende, memoriza e se comporta. Também será possível identificar futuramente quais mudanças bioquímicas do cérebro estão ligadas ao aparecimento de doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer, assim como em disfunções de aprendizagem.
“Compreender o funcionamento do nosso cérebro é tão ou mais complexo que desvendar a origem do universo. Não é possível analisar seu funcionamento molecular como um todo. Por isso, é importante estudar as estruturas cerebrais de modelos biológicos mais simples”, diz Valle de Sousa.
A equipe está analisando cérebros de 20 abelhas mandaçaia (Melipona quadrifasciata) operárias fornecidas pela professora Deisy das Graças de Souza, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Metade delas havia passado por um treinamento que incentiva a aprendizagem por meio de estímulos sensoriais (cor e aroma, por exemplo) e a outra metade não. |