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Próteses cerebrais: uma visão crítica

março de 2009
© ANDREA DANTI/123RF
As próteses cerebrais sempre são retratadas como importantes avanços das neurociências, que podem aliviar o sofrimento ou as limitações de portadores de doenças neurológicas ou deficiências físicas. De fato, a intenção é legítima e bem-vinda, mas o entusiasmo não deve ofuscar reflexões críticas sobre questões éticas e possíveis prejuízos que dispositivos eletrônicos implantados no cérebro podem trazer à saúde dos pacientes. O alerta vem de um artigo publicado na edição de fevereiro da revista Nature.

O especialista em bioética, Jens Clausen, da Universidade de Tübingen, comenta recentes avanços já em uso, como os implantes cocleares, que restauram a audição e a estimulação cerebral profunda (ECP), na qual eletrodos inseridos no cérebro controlam os tremores de pacientes com doença de Parkinson; mas lembra que essas tecnologias, assim como os medicamentos, também podem causar efeitos adversos. No caso da ECP, Clausen relata artigos que mostram uma incidência significativa – maior do que a associada ao uso de medicamentos – de distúrbios psiquiátricos, alterações de personalidade e tentativas de suicídio entre pacientes com Parkinson submetidos à esse tratamento. O autor também comenta a rejeição de algumas pessoas com deficiência auditiva aos implantes cocleares. “Esses indivíduos não consideram a surdez como uma incapacidade que precisa ser corrigida, ao contrário, é algo que faz parte de sua vida e de sua identidade cultural”, escreve.

O objetivo do autor não é criticar o mérito dessas novas tecnologias e de outras que ainda estão por vir, mas chamar a atenção para o fato de que, como qualquer intervenção clínica, elas não são 100% inócuas; tampouco são sempre aceitas por aqueles a quem se destinam. Para ampliar a discussão, a Nature liberou o acesso ao artigo no seu site (http://tinyurl.com/andvey) e criou um fórum onde os leitores podem postar suas opiniões (em inglês).