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Protocolo IRDI pode detectar autismo em crianças de até um ano e meio

Cientistas da USP avaliam se formulário criado por psicanalistas é capaz de identificar sinais precoces do transtorno

março de 2015
SHUTTERSTOCK
Estima-se que aproximadamente 5 milhões de crianças no Brasil apresentem problemas mentais em algum grau, segundo dados recentes divulgados pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). A pedido do Ministério da Saúde, um grupo de cientistas brasileiros coordenado pela psicanalista Maria Cristina Kupfer, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP), desenvolveu entre 2000 e 2008, 31 Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil (IRDI), com base na psicanálise, para ajudar pediatras e demais profissionais da atenção básica a detectar sinais precoces de problemas psíquicos em geral observáveis nos primeiros 18 meses de vida.

Agora, outro estudo em andamento conduzido pelo psicanalista Rogério Lerner, do IP-USP, busca avaliar se o instrumento pode ajudar a identificar também sintomas associados a transtornos do espectro do autismo (TEA). A equipe de Lerner aplicou o IRDI em 40 crianças de até 18 meses que frequentam serviços de saúde mental (sete com risco detectado previamente por outro instrumento) e 33 do grupo de controle. Os resultados preliminares, parcialmente divulgados nos periódicos Psicologia: Ciência e Profissão e Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental,mostram que aquelas com maior probabilidade de desenvolver a síndrome apresentavam maior ausência de indicadores de saúde psíquica, em comparação com as que não mostravam risco de ter o transtorno, o que indica a sensibilidade do IRDI para diagnosticar quadros de autismo.

“Isso é bastante promissor. Nossa amostra ainda é pequena, mas estamos trabalhando para aumentá-la”, diz o psicanalista. “Temos técnicas específicas para detectar a síndrome, mas, se pensarmos em escala populacional, é melhor ter ferramentas inespecíficas com sensibilidades conhecidas. Imagine a dificuldade de aplicar em uma população de 200 milhões de habitantes um instrumento diferente para cada condição que pode acometer os pequenos.” O próximo passo, segundo os cientistas, é aplicar o IRDI em pelo menos 30 crianças com risco de autismo. O protocolo já faz parte dos instrumentos presentes nas Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo do Ministério da Saúde e pode ser consultado on-line: http://goo.gl/k5vTHA.

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