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Puberdade antecipada pelos genes

fevereiro de 2008
© Studio/Dreamstime.com
A manifestação precoce da puberdade está relacionada a falha no funcionamento de um gene. Um estudo desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) com 48 meninas e três meninos que se tornaram adolescentes antes da hora identificou a mutação no GPR54. Trata-se do gene que codifica o receptor da proteína conhecida como kisspeptina. Quando ativado pela substância, o GPR54 deflagra a secreção de gonadotrofinas, hormônios que promovem a mudança de um corpo infantil ao adulto.

Normalmente, as alterações físicas (crescimento da mama, surgimento de pêlos, desenvolvimento de ovários e testículos) se dão entre os 10 e 11 anos entre as meninas entre os 12 e 13 entre os meninos, nos quais são raros os casos de antecipação, em geral relacionados a tumores no sistema nervoso central. A puberdade precoce afeta um em cada dez mil indivíduos, sendo mais freqüente em mulheres, e sua principal conseqüência é a baixa estatura.

As causas da disfunção feminina permanecem ainda desconhecidas. A maioria das garotas afetadas não apresenta nenhum tipo de lesão no sistema nervoso central, mas apresentam crescimento dos seios ou já menstruam antes dos 6 anos. Trabalhos anteriores sugeriam que ao menos em parte dos casos haveria um fator genético por trás: 20% das dessas meninas tinham histórico familiar de puberdade precoce.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e publicado na revista The New England Journal of Medicine. Integra um projeto temático coordenado pela médica Ana Claudia Latronico que terá seqüência em pesquisas de fatores associados à modulação do início da adolescência. Por enquanto, as pesquisas não indicam mudança no tratamento da disfunção, feito com um hormônio que bloqueia a síntese e a liberação das gonadotrofinas. (Agência Fapesp)