 |
André Ribeiro/UnB Agência |
 |
|
 |
(Agência UnB) – Cordial e pacífico. O brasileiro não gosta de brigar por seus direitos, principalmente quando o assunto é fila, seja no banco, no supermercado, na rodoviária ou no aeroporto. E, até mesmo quando ele percebe que alguém “furou” a ordem, prefere fingir que não viu. No máximo, cutuca o ombro do intruso e diz de um jeito tranqüilo: “Ô, amigo, a fila termina lá trás!”. As principais reações dos indivíduos nas filas foram observadas e analisadas pelo pesquisador Fabio Iglesias, do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB). Ele é o único do Brasil a estudar o assunto.
O psicólogo defendeu a tese de doutorado Comportamento em filas de espera: uma abordagem multimétodos em março de 2007. Antes de chegar a essas conclusões, Iglesias realizou seis estudos, por isso o nome multimétodos. Ele elaborou instrumentos, bancou o “fura-fila” e descobriu comportamentos inusitados. Entre eles, a diferença entre o que o brasileiro fala e o que ele realmente faz. “Muitos dizem que vão reclamar se alguém entrar na frente, mas o que a análise mostrou é que quase ninguém faz”, revela.
Em um dos experimentos, Iglesias furava a fila na Rodoviária do Plano Piloto, sempre na 10ª posição. Em 206 intrusões, ele observou que 80% dos indivíduos não reagiam e o restante apenas falava cordialmente. Em nenhuma das vezes houve violência física. As intromissões foram feitas de três modos: uma mulher furava a fila, um homem ou um casal. Em todos os casos, eles ficavam apenas 40 segundos e depois saíam da fila. O maior grau de incômodo foi causado pelo casal e não houve diferenças se o intruso era homem ou a mulher ou ainda se quem estava na fila na posição posterior a ele também era homem ou mulher.
DESAGRADÁVEL – Embora quase todo mundo pense que a fila é um local desagradável, uma escala com 20 itens desenvolvida por Iglesias e aplicada em 302 usuários no Distrito Federal mostrou que o maior fator de incômodo é não saber quanto tempo o indivíduo terá de esperar. Para resolver o problema, o psicólogo sugere a colocação de um visor, placas ou a simples justificativa da demora. |