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Quando as garotas assumem o comando

Para evitar a baderna e a destruição do grupo, fêmeas de lêmures, sagüis e bonobos ocupam a liderança

setembro de 2008
©ERIC GEVAERT/ISTOCKPHOTO
CIENTISTAS estudam a liderança entre animais, como os lêmures, e acreditam que em grupos humanos a dinâmica seja similar
Os primatologistas estão acostumados a observar grupos de macacos cujo líder é sempre um macho, mas, de vez em quando, lá está uma fêmea no posto mais alto da hierarquia. Mas de que forma e em quais circunstâncias elas conquistam tal status? É o que muitos pesquisadores desejavam saber. Estudo recente publicado na revista PLoS One, oferece um explicação curiosa para o fenômeno.

Usando um modelo virtual que simula a interação entre primatas, cientistas da Universidade de Groninger, Holanda, observaram que a fêmea assume o poder quando há excesso de machos no grupo, o que geralmente resulta em baderna, isto é, em freqüentes disputas para alcançar a liderança. Com os dados obtidos na simulação, os cientistas foram a campo testar a hipótese, confirmando-a em grupos de lêmures, de diversas espécies de sagüis e até de bonobos (os primatas que mais se parecem com o ser humano).

Obviamente, a fêmea que planeja ser líder tem de encarar um combate com o macho dominante do momento, tendo a desvantagem de ser fisicamente mais frágil. No entanto, a tarefa fica mais fácil porque, aparentemente, o clima beligerante no grupo deixa o líder macho cansado de tantas lutas e eventualmente ferido, o que aumenta as chances de vitória da candidata. Segundo os autores, esse mecanismo parece ser uma forma de evitar a autodestruição do grupo. Eles acreditam ainda que uma dinâmica semelhante possa ocorrer também entre seres humanos.