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Quando os tubarões vão às “compras”

Padrão de locomoção de predadores no mar é semelhante ao de seres humanos no mercado

abril de 2008
©IAN SCOTT/SHUTTERSTOCK
Pesquisadores sugerem que orientação espacial está baseada em circuitos neurais primitivos
A princípio, o fundo do oceano não lembra em nada um supermercado: enquanto a oferta de alimento no primeiro é limitada, no último ela é abundante, para não dizer esmagadora. No entanto, a forma como seres humanos, tubarões e outros animais marinhos se deslocam nesses ambientes é surpreendentemente parecida. A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature, do qual participaram ecologistas, matemáticos e engenheiros de diversas universidades do Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

Os pesquisadores analisaram dados coletados por meio de sensores eletrônicos fixados em grandes predadores marinhos, como tubarões, pingüins e tartarugas marinhas, encontrados em vários pontos do planeta, e depois os compararam aos de estudos já realizados com seres humanos. Um modelo computacional identificou, em todas essas espécies, um padrão comum de locomoção que consiste em deslocamentos curtos intercalados com outros de longa extensão.

Se alguém vai ao supermercado para comprar ovos e não os encontra no lugar esperado, dificilmente vai fazer uma busca sistemática por todas as prateleiras; o mais provável é que comece a “saltar” de gôndola em gôndola. “Isso aumenta as chances de sucesso e economiza energia”, explica o biólogo David Sims, da Universidade de Plymouth, Reino Unido, que coordenou a pesquisa. Segundo ele, o mesmo padrão de deslocamento é observado nas migrações humanas e pode ajudar a compreender como o ser humano colonizou o planeta.

Os autores sugerem que estas habilidades de orientação e navegação espacial estão baseadas em circuitos neurais primitivos, tão antigos quanto a vida marinha, possivelmente os mesmos usados por mamíferos terrestres, pelo menos quando o que está em questão é a alimentação, ou seja, a sobrevivência. Os resultados da pesquisa podem ter também aplicações ambientais e tecnológicas. Os cientistas pretendem utilizar esses conhecimentos para melhorar a eficiência de robôs que coletam material em lugares inóspitos como vulcões, áreas contaminadas, profundezas escuras do mar e superfície de outros planetas.