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Quem tem medo de cobra?

Coragem no cérebro está relacionada a aumento da atividade do córtex cingulado subgenual

outubro de 2010
© roberto gennaro/istockphoto
Há muito tempo pesquisadores vêm estudando as bases neurobiológicas do medo. O seu oposto, porém, a coragem, desperta curiosidade, mas ainda é tema desconhecido para neurocientistas. Para tentar entender o que acontece no cérebro de alguém que toma atitudes corajosas, cientistas do Instituto Weizmann de Ciência de Israel usaram uma serpente viva e não venenosa com 1,5 m de comprimento. Os 61 voluntários – divididos em dois grupos em que 39 tinham medo de cobra e 22 estavam acostumados a lidar com o animal – tiveram o cérebro escaneado por ressonância magnética funcional. O réptil foi colocado em uma esteira próxima aos participantes, que podiam escolher afastá-la ou aproximá-la até uma distância de 20 cm de sua cabeça. No final do teste, apenas um voluntário entrou em pânico e teve de abandonar o experimento.

Os resultados publicados na revista Neuro mostraram que o córtex cingulado subgenual entrava em intensa atividade sempre que um participante decidia trazer a cobra para perto de si. Quando o voluntário, sucumbindo ao medo, preferia afastar o animal, a amígdala, região associada ao medo, apresentava maior atividade. Na situação-controle, em que os pesquisadores usaram um ursinho de pelúcia em vez da serpente, as imagens apontaram baixa atividade em ambos os grupos. Segundo os neurocientistas responsáveis pelo estudo, a expectativa é que essa descoberta incentive o desenvolvimento de intervenções terapêuticas que permitam aumentar a atividade do córtex cingulado subgenual em pessoas que sofrem de fobias.