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Radiografias da fragilidade humana

Obras expostas em Poços de Caldas revelam tensões entre corpo e suas representações

setembro de 2008
DIVULGAÇÃO
Sem título e Da suíte p/ Mary Shelley: sobre os poetas: artista usa técnica inusitada para mostrar o que o olho, em geral, não alcança
O corpo é o suporte de tensões, exprime dor e prazer, expressa manifestações conscientes e inconscientes. No plano sensível, porém, permanecemos indiferentes a grande parte das estruturas internas que suportam e regulam processos fisiológicos ou guiam comportamentos. Tudo que nos chega de dentro ou de fora do organismo é apenas percepção rapidamente transformada em palavras, imagens e sentidos. Mas algo do real, da existência pura das coisas, inevitavelmente se perde nesse trabalho ininterrupto de tradução. Somos fadados à representação, processo pelo qual buscamos compreender a vida que nos move, nos convulsiona e um dia finda. A exposição Claudio Mubarac – Idéias de fabricação: pequeno atlas, em cartaz no Instituto Moreira Salles, de Poços de Caldas, aborda justamente essa tensão entre representação e corpo, com base em um ponto de vista deslocado da percepção habitual.

São 103 obras produzidas nos últimos dez anos pelo gravador paulista, um dos expoentes da geração 80. Ele usa técnicas, matrizes inusitadas (como radiografias) e o próprio corpo como fonte de autoconhecimento e expressão artística. O artista vai além de silhuetas e superfícies para apresentar a estrutura que as suporta – crânio, quadris, tórax, fragmentos de esqueleto – explorando graficamente o que o olhar não atinge, mas permanece cognoscível por meio da tecnologia. Desde seus primeiros trabalhos, Mubarac mostrou preocupação com a fragilidade humana, mas em 1988, quando o gravador sofreu um grave acidente automobilístico, de lenta e sofrida recuperação, essa temática se tornou ainda mais presente em sua obra.