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Realidade virtual ajuda pessoas com autismo a vencer medos

Explorar cenários estressantes em um ambiente seguro possibilitou que jovens autistas superassem dificuldades cotidianas

setembro de 2014
Colin Anderson/Photographer’s choice/Getty Images
Crianças com autismo superaram algumas fobias após poucas sessões terapêuticas com realidade imersiva. Cientistas da Universidade Newcastle, no Reino Unido, expuseram nove meninos entre 7 e 13 anos diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA) a um ambiente virtual que gradualmente apresentava cenas do cotidiano que eles temiam.

Os meninos foram completamente cercados por imagens que representam o “mundo real”, sem qualquer ponto de referência externa, fone de ouvido ou óculos de proteção. Munidos com um Ipad, eles podiam controlar o ambiente como quisessem. Para criar cenários personalizados, a equipe trabalhou em parceria com a empresa Third Eye Technologies, que desenvolveu o blue room immersive (sala azul de imersão, em tradução livre), conforme relatado em um artigo publicado na PLoS ONE.

Um dos garotos, por exemplo, tinha muito medo de sair de casa: só concordava em passear com os pais se cobrisse a cabeça com o capuz do casaco e não trocava palavras com ninguém, mesmo conhecidos. Para ele, os pesquisadores transformaram a sala azul em uma loja de conveniência num posto de gasolina. Explorando o ambiente virtual, o menino não demorou muito para tomar coragem e “pegar” um jornal. Depois de exercícios de respiração e alongamento orientados por um psicólogo, o garoto arriscou, depois de quatro sessões, conversar com o avatar do vendedor. Fora dali, a família o encorajou a fazer compras sozinho. “Foi um sucesso. Agora ele é capaz de sair de casa com os amigos”, comemora um dos pais.

“Oito das nove crianças conseguiram lidar com a situação que temiam e quatro superaram completamente suas fobias. Os efeitos se mantiveram, segundo estudos de acompanhamento realizados um ano depois”, diz o pediatra especialista em neurodeficiência Jeremy Parr, autor do estudo. “Algumas crianças com autismo podem ter dificuldades em situações cotidianas que para muitos de nós são tranquilas, como pegar um ônibus ou comprar um litro de leite. Explorar cenários estressantes em um ambiente virtual seguro pode ajudar a lidar com medos e melhora a qualidade de vida”.

Uma em cada 68 crianças tem algum grau do transtorno do espectro autista (TEA), segundo estimativas divulgadas em março deste ano pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês). O termo “espectro” significa que há vários níveis do distúrbio, mas todos compreendem, em menor ou maior intensidade, prejuízos nas habilidades sociais.

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