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28 de setembro de 2007
Reféns da bebida dos pais
Filhos de dependentes de álcool sentem culpa pelo problema dos pais e têm dificuldade de amadurecer, alerta estudo
 
André Ziller/UnB Agência
(Agência UnB) − Apesar do maior prejudicado pela dependência de álcool ser o próprio dependente, a família também é afetada pelo excesso de bebida. A mulher, os filhos e parentes também acabam, de certa forma, se tornando reféns dessa doença. Interessada em investigar como os filhos encaram a dependência dos pais, a psicóloga Eliana Vilar Trindade defendeu a tese de doutorado Filhos de Baco: adolescência e sofrimento psíquico associado ao alcoolismo paterno pelo programa de pós-graduação em Psicologia Clínica da Universidade de Brasília (UnB).

Eliana trabalhou com grupos de ajuda a dependentes de álcool durante 14 anos. Durante esse tempo, percebeu que os adolescentes acompanhantes dos seus responsáveis se sentiam muito desconfortáveis nas instituições de tratamento. "Os jovens passam por um sofrimento muito grave, principalmente porque estão em uma fase sensível da vida", afirma a psicóloga.

Curiosa por descobrir detalhes sobre esse desconforto, Eliana escolheu seis jovens (três garotas e três garotos), com idades entre 12 e 17 anos, para acompanhar durante o tratamento dos familiares. A pesquisadora descobriu, por meio de entrevistas, que eles se sentem culpados pela condição dos pais. E as conseqüências podem ser graves. "Os meninos adquirem medo do futuro e do fracasso. As meninas, por sua vez, ficam com receio de se relacionar com o sexo oposto, pois tomam todos os homens pelo modo como o pai se comporta", relata Eliana, que também é professora.

INDIVIDUALIZAÇÃO - E os malefícios vão mais além. Segundo Eliana, a condição de filhos de dependentes atrapalha o processo de individualização dos adolescentes. Isso significa que eles têm dificuldade de crescer, de se tornarem adultos independentes. Como precisam cuidar da família, esses jovens não têm tempo para prestar atenção em si mesmos. Muitas vezes, inclusive, os filhos homens ganham o status de substituto marital. Ou seja, viram protetores da própria mãe, tomando o lugar do "homem da casa".
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