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Remédio para epilepsia pode prevenir Alzheimer

Pesquisadores acreditam que a droga pode desacelerar o declínio cognitivo relacionado à patologia

novembro de 2012
MalDix/Shutterstock
Um dos primeiros sinais do Alzheimer, o tipo de demência mais frequente entre idosos, são os lapsos de memória, que não raro são considerados um reflexo do avanço da idade pelos parentes da pessoa com a doença. Em alguns anos, porém, os esquecimentos tornam-se mais frequentes e intensos e se tornam decisivos para o diagnóstico clínico da doença, que ainda não tem cura. No entanto, um artigo publicado na revista Neuron revela que um medicamento usado no tratamento da epilepsia pode prevenir a perda cognitiva e melhorar a memória das pessoas com risco de desenvolver Alzheimer.

 Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, medicaram 17 pessoas com risco de Alzheimer com o remédio anticonvulsivante levetiracetam, que atua principalmente no hipocampo, região do cérebro que, além de ter importante função na memória, é hiperativa em epiléticos. “Tudo indica que o medicamento desacelera a atividade dessa área, o que de alguma forma reduz a perda de memória”, explica a neurocientista Michela Gallagher, autora do estudo, ao relatar que os pacientes apresentaram melhor desempenho em testes cognitivos depois do tratamento.

A neurocientista acredita que a droga pode desacelerar ou mesmo impedir o declínio cognitivo que causa os sintomas do Alzheimer. A ciência já comprovou a relação entre altos níveis de atividade neural e o aumento de placas amiloides (proteína beta-amiloide) no cérebro. Michela pretende agora verificar se, já que o levetiracetam pode reduzir a atividade do hipocampo, ele pode conter a deposição de placas de proteína e a consequente evolução da doença. 

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