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Remoção de ovários eleva risco de demência

outubro de 2007
© SEBASTIAN KAULITZKI/123RF
ESTRÓGENO PROTEGE o cérebro da degeneração anatômica e funcional, mas reposição hormonal ainda é controversa
Mulheres que fizeram cirurgia para remoção de ovários antes da menopausa correm mais risco de desenvolver problemas de memória e demências, segundo estudo realizado por pesquisadores da Clínica Mayo em Rochester e publicado na Neurology. Participaram da pesquisa cerca de 1.500 mulheres que, por diversas razões, passaram por cirurgia de remoção de ovários e não fizeram reposição hormonal. Elas foram acompanhadas por 27 anos, período durante o qual foram feitos exames ginecológicos e entrevistas regulares para avaliar a função cognitiva.

Os resultados mostraram que o risco de desenvolver problemas cognitivos ou demência era quase duas vezes maior nas voluntárias que tiveram um ou ambos os ovários removidos antes de atingirem a menopausa, em comparação a mulheres que não foram submetidas a esse tipo de intervenção. Além disso, quanto mais jovem a paciente na ocasião da cirurgia, maior o risco de demência depois dos 65 anos.

As evidências apontam para o papel do estrógeno na proteção do tecido nervoso e da reposição hormonal na prevenção da degeneração anatômica e funcional, algo que deve ser objeto de novos estudos. Os autores advertem que o tema é delicado, uma vez que pesquisas anteriores já demonstraram que, em algumas mulheres, o uso de estrógeno está associado a maior risco de câncer e, acima dos 65 anos, pode ter efeito negativo sobre a memória.