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Retratos cegos

Como um cego reage à ideia de saber-se fotografado? Essa e outras reflexões motivaram o projeto do fotógrafo francês Georges Pacheco

dezembro de 2013
Georges Pacheco/Divulgação

O artista GEORGES PACHECO ajustou a câmera e deixou os modelos livres para apertar o botão quando desejassem

 

Um cego reage à ideia de saber-se fotografado com mais naturalidade do que alguém que enxerga ou também é prisioneiro de códigos, convenções e representações sociais nesse momento?

Como a noção de “sair bem na foto” – que se traduz, por exemplo, em posturas e sorrisos forçados – se manifestaria no caso de quem não vê? Essas são algumas das reflexões delicadamente propostas pelo fotógrafo francês Georges Pacheco na série Le regard des aveugles (O olhar dos cegos), de autorretratos de deficientes visuais.

Em um cenário de fundo escuro, o artista ajustou a câmera nas mãos dos modelos e deixou-os livres para apertar o botão quando desejassem. Nos muitos rostos registrados percebe-se a ansiedade de saber-se visto. Pacheco também pediu que cada um descrevesse com precisão o que gostaria de fotografar caso pudesse ver: “Uma paisagem com árvores e algumas aves” e “Uma pessoa no alto de um penhasco olhando, atordoada e meditativa, a grandeza, a força e a maravilha do mar” foram algumas das respostas.

Fotos desse e de outros projetos do fotógrafo podem ser vistas no seu site: www.georges-pacheco.com.