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Retratos de dor e cuidado

outubro de 2008
©MILENA CARLA D. MORAES, PACIENTE DO PS PEDIATRIA
Foto feita por criança de 5 anos, com título “ A bomba” e legenda: “ela me dá remedinho”
Desde os anos 90 as relações entre os profissionais da saúde e seus pacientes têm sido amplamente debatidas e revistas na busca de tratamentos mais humanizados. Amenizar a dor, em seus aspectos tanto físicos como psíquicos, passou a ser tão importante quanto promover a cura de doenças. Estabelecida essa diretriz, o mote da discussão passou a ser outro: proporcionar a todas as pessoas envolvidas no tratamento formas de dar sentido a essa situação inevitavelmente tensa, especialmente quando o processo envolve internação hospitalar. Uma idéia inovadora, de cunho sociocultural, surgiu com o Projeto ImageMagica Saúde e Cultura, que propõe a “redescoberta do hospital” pelos seus usuários, profissionais e funcionários da instituição, por meio da linguagem fotográfica do dia-a-dia hospitalar. Premiado pela Organização Pan-americana de Saúde (OPS), em 2002, o projeto foi adotado pelo Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e se baseia na idéia da fotografia como ferramenta de percepção e reflexão, instigando o olhar crítico e dando vazão a emoções, impressões e constatações despertadas por esse universo tão particular.

Os resultados desse trabalho, que envolveu 14 setores do hospital, estão expostos na forma de painéis no hall de entrada e no corredor do primeiro andar da instituição. São fotografias e histórias tocantes, selecionadas entre mais de 3 mil imagens captadas, as quais revelam a abrangência, o simbolismo e a importância do ato de cuidar, algo que vai muito além do processo de curar. O objetivo da iniciativa é estimular o trabalho em grupo e a comunicação entre os diferentes agentes, além de divulgar e incentivar ações de humanização, valorização do trabalho de equipe e reflexão sobre o ato de cuidar. Além da própria produção fotográfica, profissionais da saúde e pacientes de diferentes faixas etárias são estimulados a analisar as imagens, elaborar títulos e legendas para suas fotos, criar diários, álbuns, porta-retratos e murais a serem expostos em locais de circulação; produzir “jornais” para as enfermarias e escrever cartas.