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Retratos dos bastidores dos bordéis de Paris

Mostra no Masp reúne telas emblemáticas de Henri de Toulouse-Lautrec

julho de 2017
Da redação
Henri de Toulouse-Lautrec, repos pendant le bal masqué (repouso durante o baile de máscaras),1899. óleo e guache sobre cartão, 56 x 39 cm. denver art museum
Repouso durante o baile de máscaras (1899): o dia a dia das profissionais do sexo e a homossexualidade feminina foram temas centrais de sua trajetória

Em outubro, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) exibe pela primeira vez no Brasil uma grande mostra com telas e documentos pessoais do pintor Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901). Filho de um casal de aristocratas, morto com apenas 36 anos, passou a maior parte da vida dentro dos bordéis da Paris do século 19, um período no qual artistas de todo o mundo buscavam a capital francesa para trabalhar e viver a vida noturna. Assíduo em casas de entretenimento e prostituição, como o Moulin Rouge, o artista passava as noites observando a movimentação, por vezes ajudando a servir nos bares – mas sua maior inspiração foi o cotidiano das “horas mortas” do dia, quando as profissionais do sexo descansavam, se aprontavam para a noite e cuidavam de suas tarefas comuns. Toulouse-Lautrec, que não raro morava nessas casas, retratou com olhar atento e sensível os bastidores do mercado do sexo, tendo como temas centrais o dia a dia das prostitutas e dançarinas e a homossexualidade feminina. O título da exposição, Em vermelho, faz menção a um dos salões que o artista frequentou e foi cenário de suas obras.

Deficiente físico, o artista tinha uma síndrome rara de origem genética que afetava o desenvolvimento ósseo e impediu que suas pernas crescessem, ficando com estatura de pouco mais de um metro e meio – distúrbio que posteriormente ficou conhecido na comunidade científica pelo nome do pintor. De saúde frágil, abusava do álcool e, nos últimos anos de vida, foi internado em uma instituição psiquiátrica por surtos de violência e sintomas de piromania, que lhe causaram sérias queimaduras, como relata sua biógrafa Julia Frey, que fez uma pesquisa profunda de cartas trocadas pelo artista com a mãe e amigos. 

Ela identificou nos relatos do artista um profundo interesse por tudo que parecia feio, disforme e oculto, tecendo relações entre aspectos da vida de Toulouse-Lautrec e sua obra. Cerca de 50 documentos pessoais do artista, como cartas e fotografias, fazem também parte da exposição, que traz obras emblemáticas,  como O divã (1893), com prostitutas numa atitude melancólica à espera de seus clientes no bordel ainda fechado, e Rolande (1894), com duas mulheres num momento de intimidade sexual, além de cartazes que o artista produziu para fazer propaganda dos bordéis, que se tornaram símbolo do art nouveau.

Toulouse-Lautrec em vermelho. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Avenida Paulista, 1578, São Paulo. De terça a domingo, das 10h às 18h; quinta, das 10h às 20h. R$ 30. Informações: (11) 3149-5959. Até 1º de outubro.

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