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17 de setembro de 2007
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Rituais muçulmanos “modelam” os cinco sentidos
 
[continuação]

“O muçulmano se aprimora na prática do Islã por meio do comportamento restaurado. Quanto mais ele pratica determinados atos e gestos, mais ele se aprofunda e adquire experiência”, explica. Como exemplo, Francirosy relata alguns comentários sobre o jejum do mês do Ramadã — quando deve ser feito jejum absoluto entre o nascer e o pôr-do-sol: “Como foi o seu jejum? Ah, foi melhor que no ano passado”.

Como o modo de vida islâmico é impregnado de religião, os rituais se misturam ao cotidiano, diferentemente do que ocorre em outras religiões. “O muçulmano pára suas atividades para fazer as cinco orações diárias que devem ser realizadas em horários pré-determinados. Dependendo desses horários, deverão ser feitas n prostrações. O praticante deverá estar voltado para a cidade saudita de Meca e, muitas vezes, ele pede para que ninguém passe na frente dele porque naquele momento ele deve estar voltado totalmente a Deus.”

Treino dos sentidos

São esses comportamentos, ou performances, que irão modelar os cinco sentidos. De acordo com a antropóloga, o paladar é diferenciado porque há uma série de alimentos que não podem ser consumidos. A visão é treinada para um comportamento mais recatado: um homem não deve olhar nos olhos de uma mulher que não seja da mesma família que a dele e vice-versa. O olfato está ligado aos rituais de limpeza (ablução) antes das orações.

Já o tato — o sentido menos valorizado na constatação da pesquisadora — está relacionado ao fato de homens e mulheres não se tocarem da mesma maneira como ocorre na cultura ocidental. A audição é o sentido mais valorizado. “O profeta Mohammad [fundador do islamismo] ouviu as revelações do arcanjo Gabriel e passou o conhecimento adiante. É uma cultura que valoriza o ouvir e o falar”, explica.
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