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Salvador Dalí e outros 44 artistas brincam com o movimento

dezembro de 2007
Madonna, 1958, de Salvador Dalí, e Penetrable, 1982, de Jesús Rafael Soto
Labirintos coloridos, um tapete feito com pedras de dominó, barras de ferro que sobem e descem numa cadência hipnótica, quadros que parecem se mexer e imagens prestes a “saltar” para fora da tela. Na exposição Os cinéticos, atualmente em São Paulo, se o espectador mudar o ângulo de observação ou caminhar alguns passos a obra de arte se transforma, como se brincasse com os sentidos humanos. A mostra propõe uma vivência não apenas artística ou visual, mas também perceptiva.

A cinestesia diz respeito à percepção dos movimentos. Em psicologia está associada à sensação de deslocamento do corpo em relação ao ambiente. A expectativa de compreender o movimento, e deixar-se impulsionar por ele, transparece como grande desafio vivenciado pelo sujeito que, conscientemente ou não, necessita relacionar-se com a diversidade do espaço. A cada instante é preciso conciliar informações sobre características, quantidades e qualidades de planos, cores e volumes. Estão expostas mais de 80 peças do acervo de museus renomados como Moma, Whitney, Tate Modern, Galeria Nazionale d’Arte Moderna de Roma e ainda da Galeria Denise René, que organizou a primeira exposição dedicada ao tema, em 1955. São trabalhos de 45 artistas. Vários deles, porém, tecnicamente não pertencentes ao movimento cinético (vertente que valoriza o movimento como elemento plástico). É o caso de Naum Gabo, László Moholí-Nagy, Giacomo Balla, Alexander Calder, Man Ray e Marcel Duchamp, presente com a emblemática obra Anémic cinéma, de 1925, do museu Georges Pompidou. O surrealista Salvador Dalí participa com três obras, entre as quais Madonna, de 1958, emprestada do Metropolitan. A exposição também apresenta obras de autores mais jovens como Keiji Kawashima, Felicidad Moreno e o brasileiro José Patrício.

De março a julho a exposição esteve no museu Reina Sofía, em Madri, onde foi idealizada, e recebeu a visita de aproximadamente 200 mil pessoas. A mostra é uma rara oportunidade de experienciar diferentes formas de incorporar a mobilidade dos objetos de arte – seja pela locomoção concreta da peça ou do espectador, seja pela virtualidade óptica.