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Secretaria do Rio Grande do Sul lança cartilha contra sexismo na língua

Manual sugere evitar termos que excluem o gênero feminino, e rejeita uso do gênero masculino como universal e neutro

setembro de 2014
Aleutie/Shuttesrtock
A Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo do Rio Grande do Sul lançou uma cartilha que atenta para o estereótipos de gênero presentes na língua. Lançado em agosto, o Manual para o uso não sexista da linguagem lista exemplos de uso sexista da língua e propõe alternativas mais igualitárias. O texto chama atenção para a adoção do gênero masculino como universal ou neutro. Um exemplo: o uso do termo "homens" no sentido de humanidade.  "Não sabemos se atrás da palavra homem se está pretendendo englobar as mulheres. Se for assim, elas ficam invisíveis e se não for assim, ficam excluídas", diz o documento, usando uma citação da feminista espanhola Teresa Meana.

O texto também aborda ao chamado salto semântico: o emprego, no início de uma frase, do gênero masculino como se fosse genérico, mas seguido de elementos exclusivamente masculinos. Exemplo: “Os músicos participantes podem levar esposas e filhos...”. A análise chama a atenção para a importância de utilizar locuções mais adequadas à generalização, sugerindo a substituição de substantivos e artigos masculinos por expressões como as pessoasa comunidadea vizinhançao povo.

O manual também destaca profissões que parecem restritas a um único sexo, como governadores, deputados, e procuradores, que têm sua forma feminina pouco utilizada. Também atenta para o contrário, como o caso de profissionais de enfermagem, comumente referidos apenas como enfermeiras. Há ainda os casos em que a forma feminina não tem significado equivalente ao masculino, deixando entrever conceitos sociais de hierarquia de gênero. Um exemplo é a disparidade entre os termos governante (que ou quem governa, segundo o dicionário Aurélio) e governanta (mulher encarregada de administrar casa de outrem, no mesmo dicionário). 

De acordo com o texto de apresentação da obra, a linguagem é capaz de modificar o imaginário social. Formas mais equânimes de falar e escrever podem transformar a mentalidade das pessoas e, como consequência, a própria sociedade. Confira aqui o manual completo.

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