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Senso motor pode se enganar

dezembro de 2005
Na Anosognosia a parte do cérebro em verde se recusa a funcionar
Vítimas de anosognosia têm dificuldade de reconhecer prejuízo de deficiência motora.

"Paralisado, eu? Doutor, do que está falando?" Quando um paciente vítima de derrame protesta, apesar da óbvia paralisia de algum membro, o diagnóstico quase sempre é anosognosia.

Essas vítimas não movem, ou o fazem com dificuldade, certos membros devido a lesão nos centros motores cerebrais - mas não têm consciência de sua deficiência. Se alguém as alerta sobre o fato, elas muitas vezes acham que não é o seu braço que está ali inerte, pendurado ao lado do corpo. A neuropsicóloga Anna Berti, da Universidade de Turim, estudou a origem neuronal da síndrome. Como já se sabe há tempos, ela surge em lesões no hemisfério cerebral direito. Este não apenas guia o lado esquerdo do corpo, mas também nossa percepção espacial.

Berti e seus colegas compararam o imageamento cerebral de 30 pacientes paralisados - 17 deles negavam qualquer incapacidade corporal. Suas lesões cerebrais muitas vezes se adicionavam àquelas de pacientes que sofriam "apenas" de distúrbios de atenção, mas atingiam mais intensamente as áreas pré-motoras. Essas áreas, acredita Berti, continuam gerando sinais motores subliminares que dão ao paciente a ilusão de um sistema motor em funcionamento. Por sorte, a anosognosia logo se dissipa: como se o cérebro percebesse sozinho que alguma coisa não está certa.