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Sexo, renda e saúde mental

agosto de 2006
Mulheres são mais afetadas, sobretudo depois dos 45 anos
Escolaridade e renda são fatores intimamente associados - ao menos no que diz respeito à saúde mental. Reinaldo Gianini, da Faculdade de Medicina da USP, avaliou a prevalência de distúrbios mentais em dois bairros da capital paulista e constatou que 39% dos analfabetos apresentam algum distúrbio psiquiátrico; o índice cai para 14% entre pessoas com nível superior.

"Além de interferir na renda, a escolaridade afeta a capacidade de racionalizar e verbalizar os próprios problemas. Como a pessoa internaliza muito, acaba sofrendo mais", explica o autor, que trabalhou na Vila Nova Cachoeirinha e Vila Curuçá, bairros atendidos pelo Programa Saúde da Família.
Comparados com a média da cidade de São Paulo, os distúrbios mentais são bem mais comuns nas áreas carentes. A pesquisa revela também que as mulheres são mais suscetíveis: 28% delas são afetadas, antes 21% dos homens. Segundo Gianini, por terem maior capacidade de auto-observação, as mulheres são as que mais procuram ajuda médica. A prevalência é maior acima dos 65 anos, com aumento significativo acima dos 45.

Entre pessoas que vivem com até dois salários mínimos, Gianini estima que quase 30% tenham algum distúrbio psiquiátrico; o índice é de apenas 11% entre quem recebe cerca de cinco salários mínimos. A pesquisa foi publicada nos Cadernos de Saúde Pública.