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Sinestésicos têm memória melhor e são mais criativos

O fenômeno relacionado a habilidades cognitivas mais aprimoradas pode ser resultado da evolução

maio de 2012
© ARENA CREATIVE/SHUTTERSTOCK
Para algumas pessoas números e letras representam mais que símbolos aritméticos ou tipográficos – um 6 ou um “a” podem evocar texturas, cores e até mesmo sabores. É o fenômeno da sinestesia, que consiste numa espécie de cruzamento de sentidos. Agora, um estudo publicado na PLoS Biology sugere que ele pode ser resultado da evolução, pois está relacionado a habilidades cognitivas mais aprimoradas, como memória e criatividade.

Os neurocientistas Vilayanur Ramachandran e David Brang, do Centro do Cérebro e da Cognição da Universidade da Califórnia, observaram que os sinestésicos têm resultados acima da média em testes de memória e que o fenômeno é consideravelmente mais comum entre artistas, o que sugere possível relação com a criatividade. “Há evidências de que a sinestesia é hereditária. Ela pode ser evolutiva, pois está relacionada ao melhor desempenho de algumas faculdades”, dizem os neurocientistas. Outro estudo, divulgado pelo Current Biology, mostra que pessoas com um tipo específico de sinestesia, a de cor grafema – isto é, letras ou números são associados a tonalidades –, apresentam hipersensibilidade do córtex visual primário. Através de um experimento de estimulação magnética transcraniana, pesquisadores da Universidade de Oxford verificaram que elas percebem estímulos visuais, como flashes ou pontos luminosos, três vezes mais facilmente que voluntários não sinestésicos. Mas os autores deixam claro que ainda são necessários mais estudos para comprovar se o fenômeno é realmente uma “vantagem” cognitiva.