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Situações traumáticas podem ser lembradas com detalhes

Assim como roedores, seres humanos guardam momentos de medo na memória

janeiro de 2011
© ed hidden/istockphoto
Será que o cérebro reage a qualquer tipo de medo de forma sempre idêntica? Ou estímulos distintos desencadeiam diferentes nuances desse sentimento? Um experimento de neurobiólogos coordenado pelo psiquiatra Jacek Debiec, da Universidade de Nova York, aponta para a segunda opção. Os pesquisadores treinaram ratazanas para sentirem medo: tocavam para elas dois tipos de som e aplicavam-lhes, em seguida, um choque elétrico na cabeça ou na pata, dependendo do estímulo auditivo. Na etapa seguinte do experimento, o medo foi eliminado quando, ao tomarem eletrochoques em uma das duas partes do corpo, os animais recebiam, ao mesmo tempo, um medicamento inibidor da memória injetado diretamente na amígdala, o “centro do medo” no cérebro. Um dia depois, os roedores haviam desaprendido a temer aqueles sons, não ficando paralisados de susto ao ouvi-los. O segundo estímulo sonoro, que anunciava o choque na outra área corporal, porém, continuou atemorizando as ratazanas. Isso refuta a suposição, até então existente, de que somente o estímulo desagradável seria decisivo para a memória do medo, excluindo detalhes como o local exato da dor. Se fosse esse o caso, o pavor causado pelo outro som também deveria ter desaparecido após a eliminação do primeiro, o que, no entanto, não ocorreu.


Os cientistas acreditam que, entre seres humanos, reviver uma situação traumática também pode eliminar o terror da lembrança do evento original. Segundo as conclusões do estudo, publicado na Nature Neuroscience, seria importante até mesmo buscar detalhes da memória traumática para garantir o sucesso terapêutico.