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Sobre arte de ser mulher

Em fotografias e vídeos, artistas contemporâneas exploram opressão de gênero na Caixa Cultural Rio de Janeiro 

agosto de 2016
DIVULGAÇÃO

A obra Expurgos surgiu de um sonho da artista Beth Moyses, no qual viu uma ferida em forma de colmeia aparecer na palma da sua mão. Ela, que fez um trabalho social com mulheres vítimas de violência na Casa Abrigo, em São Paulo, associou a imagem à ideia de mulheres emocionalmente devastadas que, a exemplo de abelhas, trabalham suas feridas afetivas de forma conjunta e colaborativa, fazendo do sangue mel. Beth é uma das cinco artistas contemporâneas convidadas para a exposição Silêncio(s) do feminino, no Rio de Janeiro, uma reunião de 36 obras com o tema ser mulher em uma cultura que oprime o gênero feminino há séculos, selecionadas pela curadora Sandra Tucci.

Um dos trabalhos visualmente mais impactantes é Estudo para desenho do corpo feminino, de Marcela Tiboni. Um corpo de mulher desenhado com traços que lembram tanto marcações para uma cirurgia plástica como um “mapa do boi” – a figura de um bovino com pontilhados delimitando os cortes de carne. As fotografias desse corpo, considerado por muitos fora dos padrões de beleza, são expostas de forma crua para a análise do espectador. A modelo das fotos é a própria artista. 

Já a série Fired, de Cris Bierrenbach, evidencia ideias preconcebidas conferidas pelos uniformes a algumas profissões. A artista se inspirou em uma visita ao centro comercial de São Paulo para criar as fotos em que aparece vestida de doméstica, comissária de bordo, executiva de sucesso e tantas outras categorizações com base nas roupas. Em todas as fotografias, há um rasgão sobre os lábios da modelo – uma referência ao silenciamento do título da mostra. 

Duas outras artistas completam a exposição. Lia Chaia, autora do vídeo Glam  – uma mulher grávida movimentando-se em um mar de lantejoulas leva a pensar sobre as transformações (na libido, na sensualidade, na autoimagem) do corpo feminino ao longo da vida. E, por último, Rosana Paulino, com litogravuras sobre a questão da mulher negra.

Silêncio(s) do feminino.
Caixa Cultural Rio de Janeiro - Galeria 2. Avenida Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro.
De terça a domingo, das 10h às 21h. Informações: (21) 3980-3815. Grátis. Até 21 de agosto.

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