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Notícias |
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| 27 de março de 2009 |
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| Software brasileiro melhora percepção auditiva em crianças com dislexia |
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Um software desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) deve ajudar a tratar problemas de percepção auditiva em crianças com dislexia. O trabalho é fruto da tese de doutorado da fonoaudióloga Cristina Ferraz Borges Murphy. O objetivo do programa é melhorar a capacidade de processar rapidamente estímulos sonoros, habilidade tecnicamente conhecida como processamento temporal auditivo (PTA). A dislexia é um transtorno de aprendizagem caracterizado principalmente pela dificuldade para aprender a ler e escrever, mas que pode estar relacionado com problemas de percepção auditiva. A fonoaudióloga cita como exemplo o caso das consoantes, que são estímulos mais rápidos que as vogais e “requerem um processamento temporal auditivo íntegro para que possam ser discriminadas”.
A partir de um software americano, foram desenvolvidos dois jogos de computador (um não-verbal e um verbal) para o treinamento auditivo. O jogo não-verbal visava principalmente estimular a percepção e diferenciação de sons agudos e graves. Já o jogo verbal tinha como objetivo a diferenciação de sílabas, especialmente em consoantes de som parecido, como “p” e “b” ou “v” e “f”. Neste caso, houve uma expansão do tempo de produção deste som, a chamada “fala expandida” para facilitar o processo de discriminação.
A pesquisa se dividiu em duas etapas. Na primeira, as 40 crianças disléxicas selecionadas foram separadas em dois grupos: um deles praticava os jogos quase diariamente (durante dois meses), além de ser submetido à terapia fonoaudiológica; o outro participou apenas da terapia. As crianças do primeiro grupo passaram por testes de leitura e percepção auditiva antes e depois do contato com o programa. Na etapa seguinte, as crianças que não tiveram contato com o jogo na fase anterior tiveram a possibilidade de utilizar o software durante dois meses. Testes semelhantes foram realizados. No caso da habilidade de leitura, não houve alteração significativa entre os resultados pré e pós-treinamento. Já em relação ao processamento temporal auditivo, as diferenças foram bastante relevantes. Houve melhora na habilidade de diferenciar e ordenar sons agudos e graves (o que os pesquisadores chamam de período de freqüência) e graves e na capacidade de distinguir e ordenar sons longos e curtos (período de duração). Segundo a autora, a principal função do software nesse momento é treinar o PTA, mas futuros aprimoramentos podem estender sua aplicação a problemas de discriminação da fala, auxiliando pessoas com dificuldades de pronunciar determinados fonemas ou que confundem certas letras. A pesquisa, que contou com o apoio da Associação Brasileira de Dislexia (ABD) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é candidata ao prêmio anual da Academia Americana de Audiologia, cujo vencedor será conhecido em abril em Dallas, Estados Unidos. (Com informações da Agência USP de Notícias) |
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