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Solidão e conflitos de Wilhelm Reich

Às vésperas da abertura do testamento do psicanalista, peça propõe olhar atento sobre suas idéias

agosto de 2007
©NILBER/DIVULGAÇÃO
Sozinho em um quarto escuro, Wilhelm Reich (1897-1957) ouve vozes de interlocutores imaginários -– e conversa com eles. Questiona as razões de estar preso e relembra episódios de sua vida. Fala sobre a adolescência tumultuada, a faculdade de medicina, o contato com a psicanálise e o rompimento com Freud. Pensa nas fugas que empreendeu para escapar às perseguições nazistas e protesta contra a rejeição às suas idéias pela sociedade burguesa. Por fim, compara sua trajetória às de outras pessoas incompreendidas socialmente.

O espetáculo O assassinato de Wilhelm Reich pretende apresentar parte do pensamento do polêmico psicanalista austríaco. A peça entra em cartaz no ano em que deve ser divulgado seu testamento. Em março de 1957, Reich escreveu o documento com a determinação de que só fosse aberto meio século depois de sua morte.

O pensamento do psicanalista sempre provocou reações intensas, tanto de aprovação quanto de discordância. Com idéias avançadas para seu tempo, foi precursor de condutas sociais: em 1931 já sugeria a distribuição de preservativos, a legalização do aborto e a proteção de crianças e adolescentes contra a sedução de adultos. Em sua obra procurou conciliar bem-estar coletivo e saúde física e mental. Morreu em novembro de 1957, numa prisão americana, vítima de ataque cardíaco.

O assassinato de Wilhelm Reich. Texto e direção de Marcos Davi. Teatro Ruth Escobar. Rua dos Ingleses, 209, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3289-2358. Ingressos: R$ 10,00. Sextas e sábados, às 21h30; domingos, às 20h30. Até 30 de setembro.