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24 de setembro de 2007
Solteiras por opção
 
Agência Fapesp
Estudo apresentado na Unicamp destaca que, pela oportunidade de independência financeira, o trabalho é justificativa recorrente para as mulheres solteiras não investirem no casamento
(Agência Fapesp) - A rápida mudança nas relações familiares, sobretudo o padrão “homem provedor e mulher cuidadora”, está relacionada com o fato de a profissão ter se tornado fundamental na vida das mulheres. Nesse contexto, o trabalho remunerado ganhou força nas últimas décadas como uma das justificativas mais expressivas para não investir no casamento.

Essa tendência é destacada no trabalho de pesquisa Vidas no singular: noções sobre “mulheres sós” no Brasil contemporâneo, apresentado como tese de doutorado por Eliane Gonçalves no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pesquisadora, orientada pela antropóloga Adriana Piscitelli, analisou informações de estudos de população e reportagens veiculadas na mídia impressa brasileira.

Ao lado de dados da Associação Brasileira dos Estudos de População (Abep) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram consultadas revistas femininas e jornais de circulação nacional. Com base em dados do IBGE, estima-se que o número de domicílios brasileiros ocupados por uma única pessoa subiu de 9% para 11% desde o ano 2000.

Narrativas de 12 mulheres de classe média residentes na cidade de Goiânia, com idades entre 29 e 53 anos, todas sem filhos e que moram sozinhas há mais de dois anos, complementaram o estudo.

“No universo das entrevistadas, a preocupação com a profissão aparece de maneira marcante em diferentes fases da vida. Ainda que não seja o único fator, todas afirmaram a importância do trabalho na viabilização da escolha de morar só”, disse Eliane, que atualmente é pesquisadora da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás.
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