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Sonhos transformados em imagens

Em trabalho arrojado, fotógrafa alemã se propôs ao desafio de reproduzir cenas oníricas

abril de 2009
ARQUIVO GRETE STERN
GRAFIAS DO INCONSCIENTE: as fotomontagens reproduzidas pela alemã Grete Stern foram consideradas de vanguarda no início da década de 50
Formações oníricas representam, quase sempre, cenas bizarras e improváveis no mundo real. Essa característica dos sonhos é fruto do funcionamento inconsciente que age sobre restos diurnos não elaborados e situações de angústia, expondo o desejo do sujeito de modo mais ou menos explícito. A versatilidade que muitas vezes beira o absurdo já foi observada por Freud e agora é, pela primeira vez no Brasil, tema de exposição.

Os sonhos de Grete Stern: fotomontagem permanece em cartaz no Museu Lasar Segall de São Paulo, entre os dias 4 de abril e 28 de junho. A mostra é composta por 47 imagens ampliadas dos negativos originais que permaneceram intactos por mais de 60 anos e 101 reproduções retiradas da revista argentina Idílio.

De origem alemã, Stern (1904-1999) foi aluna do primeiro curso de fotografia de Walter Peterhans, na Bauhaus. Fundou um estúdio em Berlim, onde se aventurou em incursões por uma linguagem fotográfica moderna e experimental. Casada com o argentino Horacio Coppola, também fotógrafo, fugiu do nazismo e, após um período em Londres, estabeleceu-se na Argentina, onde começou a retratar o cenário urbano e cosmopolita de Buenos Aires, povos indígenas do Grande Chaco, além de artistas e intelectuais.

Influenciada pela tradição surrealista, aproximou-se da psicanálise, o que resultou na fotomontagem de 148 imagens de sonhos publicadas na revista feminina Idílio, da Editora Abril, entre 1948 e 1952. Em parceria com o psicólogo Gino Germani, que analisava os sonhos enviados por carta pelas leitoras, e sob o pseudônimo Richard Rest, Grete Stern publicou na coluna semanal “El psicoanálisis le ayudará” a sua interpretação artística e visual dos sonhos relatados. Mergulhada na alma feminina, extraiu dos curiosos relatos fotogramas fantásticos em que se percebe a plasticidade onírica posta entre a beleza e o horror da realidade psíquica. A obra foi considerada ousada e de vanguarda para a época em que foi produzida. Além da reprodução das imagens, a exposição traz estudos inéditos do cineasta Luis Príamo, responsável pela recuperação da série completa das fotomontagens da historiadora Annatereza Fabris, do psicanalista João Frayze e da escritora María Moreno.