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Sono, sonhos e criatividade

junho de 2009
Mulher dormindo, s/d, óleo sobre tela de Franciszek Żmurko (1859–1910)
Os neurocientistas já sabiam que uma boa noite de sono, ou até mesmo um cochilo, faz bem à cognição e favorece soluções criativas para problemas difíceis. Uma pesquisa recente acaba de mostrar que uma fase específica do sono – REM (sigla em inglês para “movimento rápido dos olhos”) – está diretamente envolvida nesse processo e atua na formação de redes associativas no cérebro. O REM também conhecido como sono paradoxal é a fase caracterizada pela presença de sonhos e maior atividade neuronal do que a fase não-REM. O estudo coordenado por Sara Mednick, da Universidade da Califórnia em San Diego, será publicado essa semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Verificamos que, para questões ligadas ao que a pessoa está trabalhando no momento, a passagem do tempo é suficiente para encontrar as soluções. Entretanto, para novos problemas, apenas o sono REM é capaz de aumentar a criatividade”, disse a autora. Segundo ela, aparentemente o sono REM ajuda a chegar a soluções por meio do estímulo de redes associativas, permitindo que o cérebro estabeleça ligações novas e úteis entre ideias não relacionadas. Outro ponto importante é que essa característica não seria por conta de melhorias na memória seletiva.

Para identificar se as melhoras eram devidas ao sono ou simplesmente à redução de interferências – uma vez que experiências durante o período acordado interferem na consolidação da memória –, os pesquisadores compararam períodos de sono com de descanso controlado sem qualquer estímulo verbal. Aos participantes do estudo foram apresentados múltiplos grupos de três palavras e eles tiveram que falar uma quarta palavra que poderia ser associada com as demais. Foram feitos testes pela manhã e no fim do dia, com os voluntários divididos entre três grupos: o primeiro que dormiu à tarde e atingiu o sono REM, outro que dormiu, mas não atingiu essa fase e um terceiro que ficou em descanso sem dormir.

Segundo o estudo, o primeiro grupo apresentou um aproveitamento 40% melhor nos testes feitos após o período de sono, enquanto os demais não mostraram resultados diferenciados. Os pesquisadores sugerem que a formação de redes associativas a partir de informações previamente não relacionadas no cérebro, que levam à solução criativa de problemas, seria facilitada por mudanças nos sistemas neurotransmissores durante a fase de sono REM. (Com informação da Agência Fapesp)