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Cão superinteligente diferencia 250 palavras

Animal é capaz de identificar nomes de objetos por dedução lógica, capacidade até então atribuída apenas a humanos

julho de 2013
Pixsooz/Shutterstock
Cão da raça border collie, a mesma de Rico
O border collie Rico é considerado um dos cães mais inteligentes de que já se teve notícia. Ele ficou famoso na Alemanha ao ganhar o prêmio de um programa de televisão chamado Wetten, dass...? (Quer apostar que...?) em 1999 e em 2001. Em sua primeira aparição, obedecendo a um comando, ele buscou 77 bichinhos de pelúcia. Alguns anos depois, o animal já conseguia diferenciar mais de 250 novas palavras. Em 2004, Rico obteve fama internacional, quando cientistas coordenados pela especialista em antropologia evolucionária Juliane Kaminski, pesquisadora do Instituto Max Planck em Leipzig, descreveram em um artigo publicado pela Science como Rico aprendia por meio de fast mapping (“classificação rápida”): ele concluía novos nomes de objetos por dedução lógica. Antes, acreditava-se que apenas humanos tinham essa capacidade. Rico aprendeu, no entanto, novos termos não apenas com a cota de acerto de uma criança de cerca de 3 anos, mas ainda conseguia se lembrar da nova palavra sem novo treinamento mesmo depois de várias semanas.

Outros estudos corroboraram essa descoberta. Em 2008, pesquisadores na área de cognição coordenados por Ulrike Aust, da Universidade de Viena, apresentaram a cada um de seus “voluntários” (pessoas, pombas e cães) sempre dois objetos em uma tela de computador. Se as pessoas ou animais clicavam, bicavam ou encostavam o focinho em certos objetos selecionados ao acaso, eles recebiam uma recompensa. Se apenas um novo objeto inédito surgia na tela – por um processo de eliminação lógica – as pessoas sempre escolhiam a figura que ainda não tinha “concedido” uma recompensa. As pombas bicavam, indiscriminadamente, às vezes o objeto antigo, às vezes o novo. Mas um em cada dois cães batia o focinho no novo objeto na esperança de obter recompensa.

Durante muito tempo, cientistas também duvidaram que os cães tivessem a capacidade de “imitação seletiva”. Porém, em 2007, uma equipe coordenada pela colega vienense de Aust, Friederike Range, trouxe a comprovação. Uma cadela treinada demonstrou a seus semelhantes como puxar uma alavanca com a pata para conseguir comida – um procedimento incomum, já que os cães basicamente usam o focinho para esse tipo de operação. Se a fêmea estivesse com uma bola na boca enquanto puxava a alavanca, os outros cães imitavam a manobra com o focinho, em vez da pata. Eles aparentemente supunham que seu modelo só tinha escolhido esse método porque seu focinho estava ocupado. Mas quando a cadela estava com a boca livre, os outros cães também usavam a pata! Ao que tudo indica, neste caso, eles acreditaram que devia haver um bom motivo para ela escolher um método tão incomum.

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