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Técnica promete diagnóstico precoce de Parkinson por meio da caligrafia

Método detectou, com 97,5% de precisão, alterações motoras relacionadas à doença

dezembro de 2014
Ditty_about_summer/Shutterstock
Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas no mundo sofrem com o Parkinson, doença neurodegenerativa que afeta o sistema neurológico progressivamente, causando tremores, diminuição do equilíbrio e rigidez. Ainda não tem cura. Mas, se detectada a tempo, pode ser mais facilmente controlada.

Infelizmente, o diagnostico só é possível pela observação dos sintomas clínicos, que aparecem num estágio relativamente avançado da patologia ou por meio de um exame de imagem cerebral que usa material radioativo. Agora, pesquisadores israelenses desenvolveram uma técnica não invasiva que promete detectar Parkinson precocemente por meio da caligrafia, segundo artigo publicado na Journal of Neurology.

A especialista em engenharia biomédica Sara Rosenblum e seus colegas da Universidade de Haifa e do Centro Médico Rambam compararam amostras da escrita de 40 pessoas que têm  a doença com a de voluntários saudáveis. Metade dos pacientes tinha diagnóstico de Parkinson em fase inicial antes do surgimento das dificuldades motoras acentuadas.

Os participantes foram instruídos a escrever o nome e o endereço (tarefas diárias que exigem habilidades cognitivas) em um pedaço de papel comum posicionado sobre um tablet eletrônico, utilizando uma caneta com sensores sensíveis à pressão. A análise computadorizada dos resultados comparou a forma de escrever (comprimento, largura e altura das letras), o tempo necessário e a força exercida sobre a superfície durante a tarefa.

“Houve diferenças significativas entre os grupos. Os pacientes com Parkinson fizeram letras menores, colocaram menor pressão e levaram mais tempo para terminar de escrever”, afirma Sara. “O método foi capaz de diagnosticar a doença com 97,5% de precisão.”

Os pesquisadores tomaram como base estudos anteriores que mostraram alterações únicas e distintas entre a letra de pessoas com e sem a patologia. A maioria desses estudos, porém, focou habilidades motoras (desenho espirais, por exemplo), e não na escrita, que envolve habilidades cognitivas, como a assinatura de um cheque ou o ato de anotar um endereço, segundo os cientistas. Eles mostram que os pacientes notam mudanças na capacidade cognitiva antes de experimentar alterações motoras.

“Identificar diferenças na escrita manual pode ajudar a diagnosticar precocemente a doença, o que permitiria intervenções neurológicas em um momento crucial”, diz Sara. Os pesquisadores pretendem replicar o experimento de forma mais ampla para validar o método como diagnóstico preliminar seguro e não invasivo.

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