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Notícias

Tênues limites da sanidade

outubro de 2008
Divulgação
Louco para ser normal. Adam Phillips. Zahar, 2008. 160 págs. R$ 34,90.
Quem pode, em sã consciência, garantir que não tem nenhum traço de loucura em sua constituição psíquica? Acreditar-se absolutamente lúcido, em qualquer circunstância, talvez já seja, por si só, um traço de desequilíbrio. Afinal, os pequenos enlouquecimentos são tão inevitáveis quanto necessários para a saúde mental. Em Louco para ser normal, recém-lançado pela Zahar, o psicanalista Adam Phillips trata dos limites tênues entre a razão e a insanidade. Autor de Winnicott, O flerte, Monogamia e Beijo, cócegas e tédio – e responsável pela série de novas traduções inglesas de Freud, publicada pela editora Penguin – Phillips aborda o fascínio pela loucura e como ela está presente em nossa vida, seja no caos da vida psíquica dos bebês, nas crises da puberdade, nas pulsões arrebatadoras da sexualidade e nas relações com a própria imagem, com o objeto de afeto e, de maneira geral, com o mundo que nos cerca. Ele vai buscar material para reflexão nas definições apresentadas pelos dicionários e nos usos históricos das palavras relacionadas ao assunto. Mais do que abordar a loucura, entretanto, o livro volta-se para a questão da saúde. “Sabemos onde encontrar os loucos, e com quem devemos falar sobre eles (psiquiatras, geneticistas, neurobiologistas, psicanalistas, químicos, antropólogos, historiadores etc.). Mas onde podemos ir para encontrar os sãos? Em que prédio vivem? O que vestem? Como são e como podemos reconhecê-los?”, pergunta o autor. Mais adiante, responde: os sãos, sejam quem forem e onde quer que estejam, nunca receberam a atenção e o interesse que merecem”.