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Relacionamento estável diminui risco da dependência de drogas

Estudo com animais mostra que o efeito de recompensa química é menor nos que já encontraram um par

junho de 2011
© loisik/shutterstock
Companhia faz bem. Estudos já demonstraram que ter uma pessoa especial com quem podemos dividir a vida melhora o humor e o desempenho em atividades diárias, podendo até mesmo aumentar a expectativa de vida. Um estudo com animais, publicado pela The Journal of Neuroscience, sugere agora que vínculos formados durante a fase adulta levam a mudanças cerebrais capazes de proteger contra o abuso de drogas. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores coordenados pelo psicólogo Zuoxin Wang, da Universidade do Estado da Flórida, separaram ratazanas-da-pradaria, uma espécie conhecida por ser monogâmica, em dois grupos: um formado por fêmeas que não tinham parceiros e outro por aquelas que tinham encontrado companheiro. Em seguida, os animais receberam uma dose determinada de anfetamina. A droga, que ativa o sistema nervoso central e induz a liberação do neurotransmissor dopamina, proporciona sensação de prazer e bem-estar. Nos roedores solitários, o consumo de anfetamina potencializou a ligação com o receptor D1, localizado no núcleo accumbens – área cerebral onde se dá a secreção de dopamina. Já entre as ratazanas que tinham parceiro a ligação ocorreu menos vezes. Por causa disso, o efeito de recompensa foi menor e, consequentemente, o risco de dependência também. Trabalhos anteriores já haviam mostrado que a exposição repetida à droga diminui as chances de formação de parcerias ao longo da vida. Os pesquisadores ressaltam que entender a neurobiologia dos laços sociais e sua relação com outras substâncias pode auxiliar em tratamentos da dependência.