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Teste cognitivo detecta analfabetismo funcional

Muitos idosos têm problemas na compreensão: não conseguem, por exemplo, entender um extrato bancário ou uma receita médica

setembro de 2010
© Kosntantin Sutyagin/Shutterstock
Pesquisadores do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC/USP) estão testando um método cognitivo criado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, para avaliar o analfabetismo funcional de pacientes, principalmente idosos. O analfabeto funcional (apesar de saber ler e escrever) tem problemas na compreensão de textos e na capacidade de inferir informações. Ele não consegue, por exemplo, entender um extrato bancário ou uma receita médica. O problema é muito comum entre idosos, não necessariamente apenas pela baixa escolaridade, mas também porque doenças típicas do envelhecimento, como Alzheimer e outras demências, afetam as habilidades cognitivas.

Nessa avaliação, pesquisadores brasileiros aplicaram o teste americano conhecido como Tofhla (do inglês Test of functional health literacy in adults) em 198 mulheres e 114 homens saudáveis, entre 19 e 81 anos, com níveis variados de escolaridade: de 1 a 12 anos de estudo (a maioria tinha entre 4 e 7 anos). Antes da aplicação, os voluntários precisavam ler instruções para se preparar para um exame radiológico do estômago. O analfabetismo funcional foi detectado em 32% do grupo. Acima dos 65 anos, 50% dos participantes não conseguiram entender as informações, algumas compostas por números, e calcular corretamente os horários da medicação, por exemplo. O próximo passo do estudo é analisar se o hábito da leitura influencia os resultados do teste.