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Texto sobre Nise da Silveira reúne teatro, música e dança

Apresentada no Masp, montagem tem coreografia de Ana Botafogo e participação de monja Coen, Ferreira Gullar e José Celso Martinez Corrêa

fevereiro de 2016
DIVULGAÇÃO

Iniciada em 2012 com a montagem Nise da Silveira – Senhora das imagens, a Trilogia do Inconsciente, dirigida por Daniel Lobo, se encerra com Nise da Silveira – Guerreira da paz, em temporada no Museu de Arte de São Paulo (Masp). O espetáculo traz o próprio Lobo no papel da psiquiatra e algumas colaborações especiais: coreografia da bailarina Ana Botafogo e participação multimídia de Monja Coen, do poeta Ferreira Gullar e do ator e diretor José Celso Martinez Corrêa.

O texto relembra momentos marcantes da biografia de Nise, antes e depois de ela iniciar o conhecido e revolucionário trabalho de arte ocupacional com os internos do centro psiquiátrico do Engenho de Dentro (hoje Instituto Nise da Silveira), no Rio de Janeiro, nos anos 50 e 60. Um dos temas centrais é a fundamental troca de correspondências que ela manteve com o psiquiatra Carl Jung, que a incentivou a encontrar sentido nas milhares de telas produzidas por seus “clientes”, como ela preferia chamar os pacientes do hospital. Vários desses trabalhos – que inspiraram os movimentos criados por Ana Botafogo – são projetados ao longo do espetáculo, que coincidentemente ocorre no museu onde Nise articulou há décadas uma exposição das esculturas e pinturas de seus “camafeus”, como ela chamava os clientes que desenvolveram obras de valor artístico, reconhecidas por Ferreira Gullar e outros críticos de arte.

Monja Coen interpreta a “voz do inconsciente” que interage com a protagonista. O texto trata de aspectos importantes da vida da médica, como a prisão política, os anos que passou vivendo na clandestinidade e o questionamento dos tratamentos com eletrochoque, que lhe custaram a antipatia de muitos colegas de profissão. Uma das primeiras mulheres a se formar em medicina no país, Nise é reconhecida como uma das mais importantes personalidades brasileiras do século 20.

“Ela buscou um processo mais humanitário de cura, um olhar para o seu semelhante que não fosse tão duro, científico, mas de amor ao próximo, com ‘emoção de lidar’, termo que ela mesma utilizaria ao final da vida para definir seu trabalho”, diz Lobo, que entrou em contato com o trabalho e a história da psiquiatra durante uma pesquisa para interpretar um personagem com esquizofrenia.  A história da alagoana recebe, na montagem, um desfecho digno dos significados primitivos e universais que ela observava na obra de seus clientes: um inusitado encontro da psiquiatra com índios e suas práticas xamânicas – uma bela metáfora para o título do espetáculo, “guerreira da paz”.

Nise da Silveira – Guerreira da Paz. Masp – Auditório Masp-Unilever.
Avenida Paulista, 1578, Cerqueira César, São Paulo.
Sexta e sábado, 21h. Domingo, às19h. R$ 60.
Informações: (11) 3251-5644 ewww.culturanise.com.
De 22 de janeiro a 17 de abril.

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