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Todos nascemos sinestésicos

Bebês apreendem a realidade de forma difusa

março de 2012
Bebê: © Lena S/Shutterstock; Cortesia de Karen Dobkins e Katie Agner, Universidade da Califórnia, San Diego
Tente imaginar uma sala de museu onde as formas de uma obra de arte despertam sabores amargos em sua boca ou as variações de tom de uma pintura evocam notas musicais. Esse tipo de percepção é comum em pessoas com sinestesia – fenômeno sensorial raro no qual os sentidos se cruzam. A hipótese aceita é que ela tenha origem genética. Porém, um estudo da Universidade da Califórnia, publicado na Psychological Science, revela que recém-nascidos apreendem estímulos de maneira sinestésica.

A psicóloga Katie Wagner mostrou a bebês de até 8 meses de idade e a adultos imagens de círculos ou triângulos sobre um fundo colorido, cada metade de uma cor – vermelho, azul, amarelo ou verde. Segundo ela, as crianças olhavam por mais tempo para um desenho que associava círculos ao tom verde, por exemplo, do que para outro que reunia essa mesma cor e triângulos. As formas interferiram na preferência de cor, o que sugere sinestesia.

A associação foi mais expressiva em bebês de até 3 meses e praticamente inexistente nos de mais de 8 meses e nos adultos. O experimento reforça a ideia de que eles apreendem a realidade de forma difusa. “Talvez seus filtros de percepção não estejam treinados para focar determinados estímulos, como no caso dos adultos. Com o tempo, essa ‘linha cruzada’ sensorial tende a desaparecer”, explica Katie.