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Tolerância no casamento pode prejudicar a saúde

maio de 2008
©ANDREY FROLOV/123RF
Discussões ajudam casal a viver mais, sugere estudo
“Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, diz o ditado. E é bom mesmo, porque as discussões no casamento ajudam as pessoas a viver mais tempo, segundo estudo publicado no Journal of Family Communication. Psicólogos da Universidade Michigan observaram que quem exagera na tolerância e reprime suas discordâncias colabora para que o cônjuge fique viúvo mais cedo.

Os pesquisadores acompanharam, durante 17 anos, 192 casais que foram classificados em quatro grupos: no primeiro, tanto o homem quanto a mulher expressavam sua raiva em momentos de crise; no segundo, o marido se enfurecia e a esposa se calava; no terceiro, ela se rebelava e ele fingia que nada acontecia; e, por fim, os dois preferiam “segurar as pontas” até tudo voltar ao normal. Este último grupo, que representava 14% da amostra total, concentrou o maior número de mortes: em 27% dos casos, um dos cônjuges morreu e, em 23%, ambos morreram. Nos outros três grupos reunidos, a morte de um dos parceiros ocorreu em apenas 6% dos casos, e a dos dois, em 19%.

Segundo os autores, esses resultados mostram que o excesso de tolerância é extremamente prejudicial à saúde. “Segurar a raiva é cultivar a amargura e o ressentimento”, escreveu o psicólogo Ernest Harburg, coordenador do estudo. O que mais surpreende é concluir que quem “engole sapo” no casamento, supostamente para preservar a união, pode acabar antecipando o próprio funeral.