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Tomar decisões faz bem

A diferença mais marcante entre as pessoas muito e pouco estressadas não está nos fatores genéticos nem na estrutura psíquica, mas no quanto o indivíduo se sente autônomo e dono do próprio destino

janeiro de 2015
Falcona/Shutterstock

Em comparação a nossos antepassados, hoje em dia fazemos em períodos mais curtos muito mais coisas – como viajar, mandar mensagens e produzir ou adquirir objetos. “O problema não é o que fazemos, mas é quão efetivas são nossas ações”, observa Bauman. “Estresse e depressão decorrem da experiência generalizada de infelicidade e desesperança, o que nos relembra da comprovada (ou pelo menos suspeita) ineficácia de nossas ações. A maioria de nós se sente ignorante ou impotente a respeito do que o futuro reserva e, mesmo se soubéssemos que uma catástrofe se aproxima, poderíamos fazer muito pouco ou nada para evitar sua chegada.”

Voltando para as pesquisas que mostram o quanto se sentir capaz de tomar decisões em relação à própria vida é importante, a possibilidade de escolher como usar o próprio tempo pode ser fundamental quando se trata de atingir objetivos. Pesquisadores ingleses do Centro Internacional de Saúde e Sociedade descobriram que a diferença mais marcante entre as pessoas muito e as pouco estressadas não está nos fatores genéticos nem na estrutura psíquica, mas no quanto o indivíduo se sente autônomo e dono do próprio destino. Durante vários anos, os cientistas analisaram a saúde e as condições de trabalho e de vida de 10 mil funcionários públicos de meia-idade. Curiosamente, constataram que profissionais atarefadas ou mesmo com carga excessiva de trabalho são mais relaxados que funcionários subalternos com a obrigação de cumprir tarefas que lhes são impostas, de obedecer a prazos e ritmos de trabalho.

Psicanalistas e psicólogos acreditam que, ainda que na vida profissional eventualmente as possibilidades de exercer a criatividade sejam restritas, é importante que existam “válvulas de escape” – espaços onde seja possível manter compromissos consigo mesmo, por escolha própria. Nesse sentido, manter a proposta de dedicar-se a um projeto pessoal, um hobby ou um trabalho voluntário que beneficie outras pessoas pode ser muito saudável tanto para o corpo quanto para a mente.

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