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Trabalho de neurocientista brasileiro pode dar origem a novo tratamento da doença de Parkinson

março de 2009
Divulgação Science
A estimulação elétrica de neurônios da medula espinhal poderá se transformar num tratamento dos sintomas da doença de Parkinson, segundo um estudo da equipe do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke, em Durham, nos Estados Unidos, publicado hoje na revista Science.

Nicolelis que também é o fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), é mais conhecido pelas pesquisas em interface cérebro-máquina, já tendo feito macacos moverem robôs apenas com o pensamento, com o objetivo de criar próteses cibernéticas para pessoas amputadas ou paralisadas. Desta vez, o neurocientista apresenta um experimento em que eletrodos implantados na medula espinhal de ratos e camundongos, nos quais foi induzida uma condição semelhante à doença de Parkinson, ajudaram a restabelecer os padrões normais de locomoção destes roedores.

O método se baseia na estimulação elétrica de neurônios motores, o que desincroniza sua atividade e, conseqüentemente, promove alterações em áreas cerebrais específicas, colocando-as num estado mais permissivo ao movimento. Para muitos pacientes, a acinesia, isto é, a redução ou ausência de movimento, é um sintoma ainda mais perturbador que a rigidez muscular e os tremores que também caracterizam o distúrbio. Atualmente o tratamento do Parkinson, na grande maioria dos casos, é feito pelo uso de drogas que repõem dopamina, neurotransmissor cuja diminuição está intimamente ligada à causa do transtorno. Os resultados são melhores nas fases iniciais da doença, mas com o tempo os remédios vão se tornando menos eficazes.

Nos últimos anos, um procedimento cirúrgico conhecido como estimulação cerebral profunda (no qual o paciente vive com eletrodos implantados no cérebro) tem permitido tratar com sucesso os casos mais avançados ou que não respondam à terapia medicamentosa. No entanto, trata-se de um procedimento invasivo, complexo e de altíssimo custo. Se em futuras pesquisas o método de Nicolelis descrito na Science se apresentar eficaz e seguro em humanos, abre-se uma nova possibilidade terapêutica – mais eficaz que os remédios e menos invasiva que a estimulação cerebral profunda - para os portadores deste que é o segundo distúrbio neurodegenerativo mais comum na população mundial, atrás apenas do Alzheimer.