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A relação entre transtornos mentais e doenças infecciosas

Presença de proteína que indica inflamação no organismo está relacionada a uma probabilidade duas vezes maior de desenvolver distúrbios psíquicos

agosto de 2014
Lightspring/Shutterstock
A proteína IL-6 é secretada por células T e macrófagos para estimular a resposta imune durante a infecção
Quando pegamos uma simples gripe, nosso sistema imunológico luta para controlar e remover o agente patogênico. Nesse processo, células de defesa inundam o fluxo sanguíneo com proteínas, como a interleucina-6 (IL-6), que indica infecção no organismo. Mas, mesmo saudáveis, carregamos traços dessas moléculas, conhecidas como “marcadores inflamatórios”. Agora, cientistas da Universidade de Cambridge apontam relação entre processos infecciosos na infância e desenvolvimento posterior de distúrbios emocionais.

A equipe liderada pelo psiquiatra Peter Jones examinou amostras de sangue de 4.500 pessoas que participaram de um estudo longitudinal: os voluntários foram acompanhados dos 9 até os 18 anos pelos pesquisadores, que investigavam a presença de episódios de depressão ou psicose nesse período. Depois da análise, os cientistas dividiram as crianças e jovens em três grupos, de acordo com os níveis diários de IL-6. Observaram uma relação entre a quantidade elevada dessa proteína no organismo e o dobro de probabilidade de desenvolver algum distúrbio psíquico.

Publicados no JAMA Psychiatry, os resultados sugerem que transtornos mentais e patologias físicas crônicas podem compartilhar os mesmos mecanismos biológicos, segundo os pesquisadores. Estudos anteriores apontam que pessoas que sofrem de depressão e esquizofrenia têm maior probabilidade de desenvolver doenças cardíacas e diabetes. Outros mais recentes sugerem que níveis elevados de IL-6 também aumentam esses riscos.

“Processos infecciosos podem estar na base de todos esses problemas. É provável que estresse precoce e outras dificuldades no desenvolvimento infantil levem a um aumento persistente na quantidade de interleucina-6 e de outros marcadores inflamatórios no organismo, o que, por sua vez, está relacionado ao maior risco de doenças fisiológicas e transtornos emocionais”, sugere Jones. “Isso poderia ajudar a explicar por que exercícios físicos e dieta saudável, formas clássicas de redução do risco de patologias cardíacas, também podem melhorar o humor e combater a depressão.”