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Traumas infantis podem deixar dependentes químicos mais vulneráveis a recaídas

Estudo associa abuso à redução do volume cerebral de áreas relacionadas ao aprendizado e o controle das emoções

junho de 2014
Naufal MQ/Shutterstock
A vivência de eventos traumáticos na infância, como abuso físico, sexual ou emocional, deixa marcas que, não raro, se manifestam em transtornos psíquicos na vida adulta. Agora, um estudo da Escola de Medicina da Universidade Yale, publicado no JAMA Psychiatry, associa o trauma à redução do volume cerebral de áreas importantes para o aprendizado e o controle das emoções, o que, no caso de dependência química, interfere na capacidade de recuperação.

Os cientistas registraram imagens do cérebro de 175 pacientes que estavam em tratamento de dependência de drogas e pessoas saudáveis (grupo de controle). Nos dois grupos havia indivíduos que relataram haver sofrido abuso na infância. Os pesquisadores observaram, nas vítimas de abuso, redução no volume de células cerebrais no complexo hipocampal, com papel importante no aprendizado, na memória e no processamento de emoções. Entre os dependentes em tratamento, aqueles com menor volume cerebral no complexo hipocampal revelaram-se significativamente mais vulneráveis a voltar a usar drogas.

“Podemos começar a pensar alternativas para lidar com a patologia subjacente ao abuso de substâncias”, diz a psiquiatra Rajita Sinha, autora do estudo. “O próximo passo é pesquisar exercícios e medicamentos que possam estimular o crescimento de novas células e conexões neurais nessas regiões específicas e reduzir o impacto dos prejuízos provocados por traumas”, conclui. (Com informações da Yale News).

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