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Três décadas de compromisso com a saúde mental

Voltada para causas sociais, instituição de ensino Sedes Sapientiae tem trajetória ligada à história recente do Brasil

outubro de 2007
Gláucia Leal
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MADRE CRISTINA: tratar a neurose é propiciar possibilidade de reflexão
Desde os anos 70 o Brasil sofreu inúmeras mudanças. O desenvolvimento tecnológico contribuiu para a promoção de transformações não apenas práticas, mas também subjetivas. Preocupações sociais foram além dos limites geográficos e abrangem hoje temas como a preservação da qualidade do ar e a racionalização do consumo de água. Surgiram novas configurações familiares, a mulher está mais presente no mercado de trabalho e os homens, mais à vontade para questionar valores. A história do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, confunde-se com a história recente do país. Ao longo de mais de 30 anos de existência, a instituição – reconhecida como referência nacional na formação, na especialização e no aperfeiçoamento profissional nas áreas de saúde mental, educação e filosofia – tornou-se um espaço de reflexão.
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Sede própria em construção e atualmente (à esquerda): adquiriu estatuto jurídico em 1977
No total, mais de 15 mil pessoas já freqüentaram suas salas. Atualmente, há cerca de mil alunos matriculados nos 30 cursos regulares, voltados para profissionais, e outros mil nos 70 módulos de expansão cultural, abertos ao público em geral. Na clínica da instituição, são realizados aproximadamente 11 mil atendimentos por ano, 65% deles gratuitos. O desafio hoje é preservar a vocação política que marcou essa existência.

Vinculado à imagem da idealizadora de sua fundação, madre Cristina Sodré Dória (1916-1997), o Sedes sempre esteve envolvido com movimentos de defesa dos direitos humanos – a luta contra a ditadura, o Diretas Já, a reforma psiquiátrica, e continua desenvolvendo projetos de alfabetização, inclusão social e combate à violência. “Para madre Cristina, tratar a neurose não era promover adaptações, mas propiciar possibilidades de reflexão e é nisso que continuamos acreditando”, afirma a psicanalista e doutora em psicologia Maria Sílvia Bolguese, integrante da diretoria da entidade. Nas dependências do Sedes foram preparados, na década de 80 os 12 volumes de Brasil nunca mais, obra que denunciava centenas de casos de tortura e morte de presos políticos. Para ajudar a entender essa história, até o fim do ano uma exposição de painéis com textos, documentos e fotos, espalhados pelos corredores da instituição, conta a trajetória da entidade. Uma agenda de eventos para o próximo ano está em fase de preparação e será divulgada no site do Sedes. Informações: www.sedes.org.br.