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UFRJ estuda proteína que acelera recuperação de lesões em nervos

julho de 2009
₢Sebastian Kaulitzki/Shutterstock
Estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro traz descobertas promissoras no campo da neurologia. Testes em animais mostraram que a supressão da proteína galectina-3 acelera o mecanismo de regeneração de lesões em nervos periféricos, feixes de fibras neurais responsáveis pelos movimentos musculares e pela sensibilidade tátil e dolorosa. O estudo foi capa da revista Experimental Neurology em janeiro 2009.

O projeto teve início há cerca de quatro anos e utilizou animais geneticamente modificados para não produzirem a galectina-3. “Essa proteína, de acordo com a literatura media os processos de fagocitose (limpeza) de restos de axônios e de mielina, evento crucial na degeneração do nervo e sua consequente regeneração”, explica a professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Ana Maria Blanco Martinez. A hipótese do estudo era de que, ao eliminar a galectina-3, o processo regenerativo fosse atrasado. Os resultados, porém, mostraram o contrário. A regeneração nervosa ocorreu de forma mais rápida nos animais modificados em relação aos do grupo-controle.

Após uma lesão traumática em um nervo periférico, ocorre um fenômeno conhecido como degeneração Walleriana. “Neste processo a parte distal do nervo (a que ficou ‘separada’ do corpo celular) é completamente desintegrada e os restos celulares são removidos pelas células de Schwann (células da glia do sistema nervoso periférico bastante ‘plásticas’ e formadoras da bainha de mielina) e por macrófagos provenientes do sangue periférico”, explica Martinez. Enquanto isso a parte do nervo que permaneceu ligada começa a gerar brotamentos que crescem e podem se reconectar ao músculo (ou a outro alvo) e devolver a conexão sináptica, restabelecendo a função perdida, acrescenta a pesquisadora. Os mecanismos envolvidos nestes fenômenos ainda estão sendo estudados, mas sabe-se que a regeneração de nervos periféricos depende de certas condições ideais.

Embora o nervo seja capaz de se regenerar naturalmente, esse processo é lento e pode ser dificultado em alguns casos, como na perda de um segmento, quando há grande distância entre o nervo lesionado e o músculo, ou ainda quando esse atrofia. “É importante acrescentar que o processo de regeneração ocorre a uma velocidade aproximada de 1 mm/dia, mas se o percurso é muito longo essa velocidade tende a diminuir”, aponta Martinez. Por isso, segundo a especialista, é importante estudar os mecanismos que regem a degeneração e a regeneração no sistema nervoso periférico e procurar métodos que possam agilizar a recuperação. Além disso, esse conhecimento pode abrir caminho para o avanço também na área do tratamento de lesões do cérebro. “No momento estamos procurando entender de que forma a ausência da galectina-3 favoreceu a aceleração dos processos de degeneração e regeneração dos nervos e avaliando se o mesmo processo ocorre no sistema nervoso central. (Com informações da coordenadoria de comunicação da UFRJ).