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Um gene judeu da inteligência

novembro de 2005
Pesquisadores da Universidade de Utah dizem que os judeus asquenazes - grupo étnico que inclui Einstein, Freud e Mahler - são mais inteligentes por causa de uma mutação genética

Embora o Holocausto tenha sido provocado por suposições de que os judeus eram geneticamente inferiores, um novo estudo publicado pelo Journal of Biosocial Science sustenta a noção oposta: os judeus asquenazes podem ser geneticamente predispostos a uma inteligência maior.

Técnicas avançadas de biologia permitem que hoje pesquisadores identifiquem as funções de genes específicos. Gregory Cochran, polêmico biólogo evolucionário que em 1992 propôs que a homossexualidade é causada por uma doença infecciosa, uniu-se aos antropólogos Henry Harpending e Jason Hardy, da Universidade de Utah. Eles dizem que os judeus asquenazes - grupo étnico que inclui o físico Albert Einstein, o psicanalista Sigmund Freud e o compositor Gustav Mahler - são mais inteligentes por causa de uma mutação genética.

"As pessoas gostariam que todos os grupos humanos fossem exatamente iguais", diz Cochran, "mas eles não são." O estudo alega que a inteligência evoluiu nessa população porque, historicamente, os asquenazes adotaram atividades, como as finanças e o comércio, que demandam cognição, o que teria rendido prosperidade e mais sucesso na reprodução.

O "gene do QI" teria sido transmitido de geração em geração. Os pesquisadores também notaram que distúrbios genéticos comuns no grupo, como as doenças de Tay-Sachs e Gaucher, resultam dos níveis elevados de uma substância química que promove o desenvolvimento neuronal. Após avaliar a propagação de genes mutantes e correlacioná-los às pontuações de QI, os pesquisadores sustentam que as doenças genéticas estão ligadas à propensão a maior inteligência. A vantagem para a sobrevivência conferida por QIs mais elevados no grupo também acarreta sacrifícios individuais oriundos das doenças.

Muitos cientistas lembram que fatores culturais têm papel essencial no desenvolvimento da inteligência. Mas Cochran está convencido de que ao longo das gerações o ambiente de uma pessoa é insignificante comparado a fatores biológicos.