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Um jardim para ser tocado

Monitores cegos guiam visitas no Jardim Botânico do Rio

junho de 2008
Carmem Sílvia e Mônica Marinho
Toques de prazer: crianças com deficiência visual passeiam pelo espaço sensorial
O corpo se precipita multissensorialmente na direção dos objetos, entrelaçando os órgãos da percepção e mobilizando todo aparato neurofisiológico a eles relacionados. Sem nos darmos conta, a todo tempo os sentidos atuam em conjunto para extrair o máximo de informação do mundo. É na ausência (permanente ou temporária) de um dos sentidos que percebemos a amplitude desse processo e as infinitas possibilidades de responder a um estímulo. Quando se é privado da visão, por exemplo, é preciso convocar outra realidade perceptiva em que o conjunto dos elementos passa a compor um quadro ou uma cena.

Essa é uma das propostas do recém-inaugurado Jardim Botânico Sensorial da Cidade do Rio de Janeiro, que convida as pessoas a explorar a natureza sem o apoio do olhar. Fundado a pedido de d. João VI, em 1808, com o propósito logo abandonado de reproduzir aqui as mudas das especiarias comercializadas outrora por Portugal, o Real Horto permaneceu como reduto da flora brasileira. O lugar só seria aberto ao público anos mais tarde, na época da Independência.

O Jardim Sensorial, criado nos anos 90 para receber pessoas com deficiências visuais, passou por remodelação e foi reaberto ao público com uma novidade: visitas guiadas pelos próprios deficientes ou monitores jardineiros, que orientam os visitantes que enxergam e os convidam a vendar os olhos para explorar o jardim por meio de sons, gostos, texturas e cheiros de flores, temperos, ervas medicinais e plantas aquáticas e de texturas diversas. Informações: www.jbrj.gov.br.
(Por Laura Battaglia)