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Um jogo de linhas e subjetividades

Mostra em Brasília apresenta trabalhos conceituais criados com base em sensações e sentimentos; artista propõe ligações entre tempo e espaço

julho de 2009
IMAGENS: DIVULGAÇÃO
ARTISTA PLÁSTICO CHICO AMARAL: formas gráficas propõem diálogo subjetivo; em vez de apresentar obras prontas, ele sugere que o visitante participe da construção de sentidos que evocam sentimentos e estados de espírito
O objetivo de estabelecer diferentes linhas que tracem a ligação entre o passado e o presente confunde-se com as inúmeras representações que os espectadores podem estabelecer com base em sensações e sentimentos. Esta é a proposta da mostra A linha e o sujeito: um diálogo com o Acervo Caixa, composta por 32 obras expostas na Galeria Acervo da Caixa Cultural de Brasília, em cartaz até 30 de agosto. Sob curadoria da doutora em história da arte Graça Aranha, o artista plástico contemporâneo Chico Amaral apresenta cinco trabalhos conceituais que interagem com o acervo da instituição. Talvez a graça da mostra seja justamente essa: em vez de observar algo pronto, é possível participar de um trajeto que permite a construção de sentidos variados.

Partindo de um tema central – a linha – o público é convocado a participar da construção de dois “diálogos complementares”. O primeiro estabelece o intercâmbio entre as linhas concretizadas pelas obras modernas do acervo e as linhas virtuais dos trabalhos contemporâneos de Amaral, que redirecionam o olhar do observador para as peças da coleção, permitindo sua releitura e a apreensão de novos elementos representativos. O segundo diálogo é travado entre o espectador e as sensações despertadas na interatividade com os trabalhos do artista. Amaral propõe uma espécie de jogo de compor palavras que expressam sentimentos – solidão, ausência e plenitude. A construção, feita com traços, apresenta 30 “tipos” de medos e 15 de desejos. O autor surpreende o observador com elementos como objetos tridimensionais de papel, e projeção de imagens sobre uma obra de Renina Katz, e sugere a observação atenta de um retrato em que é possível identificar diferentes rostos. Após permanecer em Brasília, a mostra deve circular por outras cidades.