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Um marca-passo para a depressão

abril de 2006
O tratamento da depressão pode mudar radicalmente: é o que mostra uma pesquisa canadense concluída em 2005. Usando eletrodos de um marca-passo, cientistas estimularam uma região profunda do cérebro chamada cingulado subgenual, livrando da depressão aguda alguns pacientes que não respondiam à medicação, psicoterapia e a terapias eletroconvulsivas (por choque). A co-autora do estudo, Helen S. Mayberg, primeiro na Universidade de Toronto e hoje na Universidade Emory, adverte que qualquer teste clínico com uma amostra tão pequena - apenas seis pacientes - deve ser considerado provisório. Mesmo assim, quatro pacientes tiveram melhoras significativas e duradouras.

Andres Lozano, neurocirurgião da Universidade de Toronto, implantou aparelhos parecidos com marca-passos sob a clavícula de um paciente, e depois ligou eletrodos da espessura de fios de cabelo ao cingulado subgenual que, segundo Mayberg, ficava ativo em estados de depressão ou tristeza. Os eletrodos aplicavam pulsos de 4 volts 130 vezes por segundo. A hipótese de Mayberg é que, em pacientes com grave depressão, o cingulado subgenual age como um interruptor ligado, permitindo que os circuitos da depressão funcionem livremente.

Os resultados sugerem que a estimulação regular pode moderar essa atividade. Os quatro pacientes sentiram melhoras já na mesa de operação. "Eles diziam: \\`O barulho acabou\\`, lembra Mayberg, ou \\`Aquele vazio desapareceu\\`". Mais que uma melhora do ânimo, era alívio de um estado de agonia. Em 2005, após um ano recebendo os pulsos, os quatro pacientes apresentavam pontuações mais baixas na Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton - de quase 30 pontos para uma pontuação entre 8 e 1 -ou seja, bastante saudável.