Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Um mergulho na obra de Wilfred Bion

Livro ajuda a compreender o pensamento e os textos do psicanalista britânico

julho de 2011
Divulgação
Contemporâneo de Melanie Klein e Donald Winnicott, o psicanalista britânico,nascido na Índia, Wilfred Bion (1897-1979) trouxe contribuições originais à prática clínica. Ele “pensava” a sessão, por exemplo, como uma interação dialética entre analista e analisando, cujo foco é o aprendizado. Investigador da formação de vínculos de amor e ódio, ele desenvolveu também trabalhos sobre dinâmicas de grupos.


Sua obra, porém, é considerada difícil de ser compreendida por causa de sua linguagem elaborada, cheia de metáforas. Em Bion em nove lições – Lendo “Transformações” (Escuta, 2011), os psicanalistas Luís Cláudio Figueiredo, Gina Tamburrino e Marina Ribeiro esclarecem abstrações teóricas e referências filosóficas, artísticas e religiosas usadas pelo psiquiatra britânico em seu livro Transformações – Mudança do aprendizado ao crescimento (1965). Por exemplo, Bion inicia o texto descrevendo o quadro Campo de papoulas (1873), do pintor impressionista Claude Monet. Ele usa a obra para demonstrar que “a despeito da transformação que o artista efetuou no que viu para fazer com que tomasse a forma de uma pintura, alguma coisa permaneceu inalterada e dessa alguma coisa depende o reconhecimento”.


Em nove capítulos, os autores esclarecem remissões, explicando signos propostos por Bion, como o sinal O – que designa “fatos absolutos”, ou seja, a “Verdade”, que não se consegue conhecer ou acessar a não ser por intermédio dos produtos de sua transformação, retomando o conceito kantiano da “coisa-em-si” – e a letra “K”, que se refere aos processos de conhecimento. O “vínculo K”, que seria o criado entre analista e analisando, evoluiria para um “conhecer mais profundo”, o âmbito de “O”.


A obra também explica o método da “Grade”, sistema de notação científica que permite categorizar enunciados expressos na sessão psicanalítica. Dessa forma, uma obra densa como Transformações, que implica a leitura de publicações anteriores do psiquiatra britânico, torna-se acessível e, principalmente, instigante. Como escreve o psicanalista Alfredo Naffah Neto, autor do prefácio, o mérito da obra é “acompanhar e desdobrar, passo a passo, um pensamento intrincado como o de Bion, sem reduzir em nenhum momento sua complexidade”.