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Um porquinho cor-de-rosa descobre emoções

Protagonista lida com inseguranças e medo da rejeição; inquietações emocionais também costumam atormentar as crianças e cabe aos adultos assegurar o afeto

junho de 2009
Perceber as emoções – tanto as nossas quanto as dos outros – e lidar com elas não costuma ser tarefa fácil. Ao longo do desenvolvimento vamos aprendendo aos poucos, não raro, a duras penas, a perceber limites, necessidades, desejos. E inevitavelmente nos defrontamos com o medo, que, de uma forma ou outra, mais ou menos disfarçado ou evidente, nos acompanha por toda a existência: o de não ser aceito, visto, querido – e de perder aqueles a quem amamos. Em Porcolino e papai e Porcolino e mamãe, o protagonista, um porquinho cor-de-rosa, faz incursões por esse misterioso universo dos sentimentos.

Escritos pela jornalista africana Margaret Wild e ilustrados pelo australiano Stephen Michael King, os livros foram lançados no Brasil pela Brinque-Book. No primeiro, Porcolino está intrigado com uma questão: é amado? A insegurança e a dúvida surgem logo depois de se ter excedido durante uma brincadeira e mordido com força o rabo do pai. Sem saber qual a extensão do dano que pode ter causado, o filhote sai de fininho e, preocupado, recorre aos moradores da fazenda, fazendo perguntas e tentando descobrir se de fato é querido (e se continuará sendo aceito e até, eventualmente, desculpado por algum deslize). Mas só ao retornar para casa, no fim do dia, encontra o aconchego – e as palavras que buscava ouvir.

Em Porcolino e mamãe, o pequeno porco não consegue encontrar sua mãe. Fungando e grunhindo, sai à sua procura. Ao longo do trajeto, o pato oferece-lhe um abraço. Mas o porquinho afasta-se. O carneiro convida-o para fazer um colar de margaridas, mas ele prefere continuar seu caminho. O burro chama-o para brincar de pega-pega, e o cão, para rolar na grama. Nada, porém, parece valer a pena naquele momento – a não ser encontrar a quem ama. Só quando revê sua mãe Porcolino volta a sorrir: os dois juntos fazem um colar de flores, brincam de pega-pega e rolam na lama. Afinal, por mais que a gente saiba que algumas substituições são possíveis, que há coisas “nem melhores, nem piores, apenas diferentes”, às vezes é mesmo assim: não serve de outro jeito, não serve outra pessoa... (Gláucia Leal)